As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, realizadas em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem acordo após mais de 20 horas de conversas. O resultado aumenta a incerteza sobre a continuidade de um possível cessar-fogo no Oriente Médio.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance, afirmou que o país apresentou uma proposta final durante o encontro. Segundo ele, a delegação americana deixou o local após o Irã não aceitar os termos apresentados.
Já a TV estatal iraniana informou que as negociações fracassaram por causa de exigências consideradas excessivas pelos Estados Unidos. Inicialmente, a delegação do Irã esperava que as conversas continuassem no domingo.
Entre os principais pontos de impasse está a questão nuclear. Os Estados Unidos exigem garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares nem tecnologia para esse fim.
O governo iraniano apresentou uma série de demandas durante as negociações. Entre elas estão questões envolvendo o Estreito de Ormuz, a liberação de ativos financeiros bloqueados, pagamento de reparações pelos danos da guerra e um cessar-fogo mais amplo na região.
O encontro foi considerado o mais importante entre os dois países desde a Revolução Islâmica de 1979. A delegação iraniana contou com mais de 70 integrantes, liderados pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Ghalibaf, e pelo chanceler Abbas Araghchi.
Os representantes iranianos vestiam preto em sinal de luto pela morte do aiatolá Ali Khamenei. Já a delegação dos Estados Unidos foi liderada por J. D. Vance, com participação de Steve Witkoff e Jared Kushner.
O Paquistão atuou como mediador das negociações e organizou um forte esquema de segurança em Islamabad. O encontro ocorreu no hotel Serena.
O contexto recente das relações entre os países inclui a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, decisão tomada em 2018 pelo então presidente Donald Trump. Naquele mesmo ano, o líder iraniano proibiu negociações diretas com os americanos.
Na sexta-feira (10), Trump afirmou em redes sociais que o Irã não teria alternativas e que as negociações seriam o único caminho possível para o país.
