Cerca de cem apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro se reuniram ontem na Câmara Municipal de Rio Preto em um ato que, segundo os organizadores, teve como foco a defesa da democracia, dos direitos individuais e da liberdade de imprensa. Vereadores e militantes da direita pediram anistia ampla para Bolsonaro, com o objetivo de permitir sua participação na eleição de 2026.

Durante o encontro, os vereadores Tedeschi e Felipe Alcalá criticaram o que chamaram de postura de exceção e o uso de ferramentas jurídicas que, segundo eles, teriam sido utilizadas de forma questionável pelo Supremo Tribunal Federal na condenação do ex-presidente. Ambos afirmaram que as ações contra Bolsonaro ferem garantias constitucionais.

Um dos expoentes da direita na cidade, Murilo Nascimento, do Grupo Direita Rio Preto, disse que começa a se cansar de mobilizações que, na avaliação dele, não passam de discursos. Ele defendeu que é hora de transformar as reivindicações em ações práticas. Apesar da crítica, afirmou que não abandona a causa e pediu que, na eleição do ano que vem, os eleitores escolham candidatos alinhados com as ideias da direita, para recolocar o país dentro das regras que o grupo considera necessárias.

Tedeschi citou o capítulo constitucional das liberdades e dos direitos individuais para argumentar que o que acontece com Bolsonaro seria, segundo ele, uma sequência de arbitrariedades. Outras lideranças comunitárias também falaram e reforçaram preocupação com a falta de apoio de figuras da direita da cidade. Um dos coordenadores do ato disse esperar maior participação em ações futuras.

O Coronel Miguel Elias Daffara representou o Poder Executivo. O prefeito Fábio Candido informou ao vereador Tedeschi que não poderia participar por causa de outro compromisso. Alcalá afirmou que, ao contrário do que alguns dizem, a direita não está dividida e segue unida em suas reivindicações.
Depois de quase duas horas de reunião, Selma Fagotti, uma das militantes presetes, sugeriu que o grupo passe a se reunir semanalmente em algum ponto da cidade para manter acesa a mobilização e, segundo ela, evitar que o país se torne “uma ditadura”. O primeiro encontro foi marcado para o próximo sábado, às 14h, na Praça do Vivendas.
Três moradores de Rio Preto que foram presos em Brasília no dia 8 de janeiro, data que o Supremo Tribunal Federal julgou como tentativa de golpe de Estado, participaram da reunião. Entre os presentes estavam Valdemar Aleixo Machado, Vlamir Fernandes Pinatti e Marco Estavam, todos detidos em 2023. O encontro foi marcado por discursos em defesa dos investigados e condenados.
Murilo diz que parlamentares devem ser cobrados por anistia

Segundo Murilo Nascimento, a população de direita já demonstrou apoio em várias manifestações, inclusive as que foram convocadas em nível nacional e reproduzidas em Rio Preto ao longo do ano.
Por isso, afirma que agora “cabe a atitude dos nossos parlamentares”, mas fez questão de destacar que não são todos os deputados que têm se omitido. Disse que muitos trabalham, lutam e tentam avançar com o tema, mas que também há outros cujo posicionamento “enfraquece” quando chegam ao plenário.
Ele ressaltou que a pauta da anistia enfrenta dificuldades políticas em Brasília, porque exige negociações com o centro e outros grupos. Mesmo assim, segundo o orador, houve um acordo feito pelo deputado Hugo Motta, e por isso a cobrança precisa continuar. Para ele, a direita no país inteiro, neste momento, tem apenas uma prioridade: a aprovação da anistia.
A fala também mencionou presos e exilados, afirmando que há pessoas detidas injustamente apenas por estarem em frente a quartéis no momento das prisões. Para Murilo, aliados também sãoperseguidos: cita o caso de Bolsonaro e de aliados, como o general Heleno, apontando perseguição política e dizendo que a situação chegou “ao limite”.
Com a aproximação do período eleitoral, Murilo afirmou que a população de direita está observando quais deputados realmente defendem a pauta. Ele disse que muitos parlamentares têm “pulso firme”, mas outros aparecem apenas em eventos públicos e não mantêm a mesma postura em Brasília.
O recado final foi um pedido direto por união e ação: segundo ele, a anistia se tornou pauta única para a base bolsonarista e, por isso, “agora precisa de todos”, porque a população está atenta ao comportamento de cada deputado, segundo ele.

