A Copa AME se firmou como uma das maiores competições de futebol de base do interior paulista. Com mais de 10 mil atletas, o torneio se tornou também um símbolo de inclusão, reunindo crianças e adolescentes que encontram no esporte um espaço de convivência e aprendizado. Entre eles estão jovens com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que mostram avanços importantes dentro e fora de campo.
Um dos exemplos é o goleiro Carlos Gabriel Sofia Pirassolo, de 13 anos. Ele começou a jogar aos 6, inspirado pelo pai, ex-jogador do América e do Rio Preto Esporte Clube. O futebol passou a fazer parte da rotina da família e ajudou o adolescente a desenvolver disciplina e responsabilidade. Carlos aprendeu a cuidar do próprio material e a organizar seus treinos. Com o tempo, também passou a se comunicar melhor, fazer amizades e ter mais autonomia nos estudos.
Na Copa AME, o crescimento foi ainda maior. O jovem goleiro pediu treinos específicos, conquistou um troféu de destaque e aprendeu a lidar com vitórias e derrotas com maturidade.
A história de Carlos se conecta com o trabalho da Associação Futebol Futuro, no bairro Laranjeiras, que há anos aposta na inclusão por meio do esporte. O presidente da entidade, Rogério Lopes, conhecido como Lopinho, explica que o objetivo não é mudar o futebol para o atleta autista, mas incluí-lo de forma natural, com os mesmos fundamentos e regras.
Segundo ele, os resultados são visíveis: melhora na coordenação motora, no comportamento e no controle emocional. “Temos crianças que chegaram sem falar e hoje se comunicam, cumprimentam os colegas e seguem as instruções”, conta.
Levar esses jovens para a Copa AME foi um passo importante. Lopinho destaca o respeito e a união dentro das equipes. “Os outros meninos aprendem que todos são iguais. O futebol não separa ninguém”, afirma.
O diretor da Copa AME, Nicollas Neves, reforça que a inclusão é uma prioridade. “Quando uma criança sente que pertence a um grupo, tudo melhora. O esporte tem esse poder e a Copa AME faz questão de garantir esse espaço.”
Para as famílias, o torneio vai muito além da competição. O pai de Carlos resume o sentimento: “Ver meu filho crescendo dentro do futebol mostra que ele está aprendendo sobre convivência, respeito e superação. O futebol está ajudando ele a se preparar para a vida.”

