O grupo de empresas chamado MEZ-RZK Novo Centro ganhou, na manhã desta quinta-feira (26), a disputa para construir e cuidar do novo centro administrativo do governo de São Paulo. A reunião aconteceu na sede da B3, no centro da capital, e contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas e do prefeito Ricardo Nunes. A repórter Elaine Patrícia Cruz acompanhou o evento onde o grupo vencedor ofereceu um desconto de quase 10% no valor que o governo vai pagar por mês, vencendo outra empresa que ofereceu um desconto menor.
As empresas vencedoras, que incluem a Zetta Infraestrutura e a RZK Empreendimentos, vão cuidar da obra e da limpeza e segurança do local por 30 anos. O dinheiro investido no projeto deve chegar a 6 bilhões de reais.
O governador Tarcísio de Freitas disse que esse projeto é muito importante para a cidade. Ele afirmou que o governo quer atrair muito investimento para gerar obras e empregos para a população.
Segundo o governador, colocar todas as secretarias do estado em um só lugar, no bairro Campos Elíseos, vai ajudar o governo a trabalhar melhor e economizar o tempo de 22 mil funcionários. Ele acredita que isso vai ajudar a melhorar o centro de São Paulo e que o estado vai ganhar dinheiro ao deixar de usar prédios antigos espalhados pela cidade. Tarcísio também disse que a obra faz parte do esforço para melhorar a região onde hoje existe a Cracolândia.
A disputa pelas obras aconteceu com muita segurança nas ruas. A Polícia Militar fechou as passagens perto do prédio para evitar confusão, já que muitos moradores estavam protestando no Largo do Café.
Do lado de fora, grupos que lutam por moradia reclamaram do projeto. Eles dizem que a obra vai tirar famílias de suas casas à força e que os preços dos aluguéis e das casas na região vão subir demais, o que acaba prejudicando as pessoas mais pobres que vivem no centro.
No final do evento, uma moradora conseguiu entrar no prédio e reclamou diretamente com o governador. A jornalista Jeniffer Mendonça, que mora no bairro há 29 anos, disse que centenas de moradores não foram ouvidos. Ela criticou a ideia de que o projeto traz vida para o centro enquanto expulsa quem já vive e trabalha lá há muito tempo. Jeniffer afirmou que o dinheiro que o governo paga pelas casas não será suficiente para eles comprarem outro lugar no centro.
O governador Tarcísio respondeu que grandes obras sempre precisam tirar algumas pessoas de suas casas para o bem de todos. Ele prometeu que ninguém ficará sem ajuda e que o governo vai pagar o valor justo em dinheiro, seguindo a lei, para que as famílias encontrem novos lugares para morar.
O plano do novo centro administrativo quer construir sete edifícios e dez torres nos Campos Elíseos. O lugar vai receber o gabinete do governador e várias secretarias que hoje estão em endereços diferentes. O projeto também promete consertar 17 prédios históricos, aumentar as áreas verdes do Parque Princesa Isabel e construir um novo terminal de ônibus e lojas. O governo espera criar 38 mil empregos durante a construção e disse que ainda vai decidir o que fazer com os prédios que ficarem vazios, como o Palácio dos Bandeirantes.

