A inteligência artificial já faz parte da rotina de quase metade da população do Estado de São Paulo. Segundo levantamento da Fundação Seade, 47% dos moradores utilizam ferramentas como ChatGPT, Gemini e Copilot em atividades do dia a dia.
Apesar do avanço, os dados mostram que 53% da população ainda não utiliza esse tipo de tecnologia. No interior, como em São José do Rio Preto, o acesso às ferramentas existe, mas o uso ainda é limitado. O principal problema não é a falta de internet ou dispositivos, mas a dificuldade de entender como aplicar a tecnologia na prática.
Para o especialista em inteligência artificial Arthur Santini, associado da Apeti, o desafio atual não está mais no acesso, mas na forma como a tecnologia é apresentada às pessoas. Segundo ele, muitas pessoas ainda não sabem como usar a inteligência artificial no trabalho ou em atividades cotidianas.
Os dados da pesquisa mostram diferenças claras entre os grupos. Entre jovens de 18 a 29 anos, 74% já utilizam inteligência artificial. Entre pessoas com renda acima de 10 salários mínimos, o índice chega a 73%. Já entre pessoas com mais de 60 anos, 84% nunca tiveram contato com essas ferramentas.
A pesquisa também aponta que o principal uso da inteligência artificial está ligado ao trabalho. Cerca de 39% dos usuários utilizam as ferramentas em atividades profissionais. Outros 35% usam para fins pessoais e 26% para estudos.
Esse movimento já pode ser observado em empresas da região, principalmente nas áreas de atendimento, marketing e operações, onde a tecnologia tem sido utilizada para aumentar a produtividade.
Segundo Santini, o uso ainda é considerado inicial, mas deve crescer rapidamente nos próximos anos. A tendência é que a inteligência artificial deixe de ser usada apenas para tarefas simples e passe a auxiliar em decisões, análise de dados e estratégias de negócio.
Entre as pessoas que ainda não utilizam a tecnologia, 28% afirmam que não sabem como usar. O mesmo percentual diz não confiar nos resultados gerados. Outros 18% afirmam que não veem utilidade prática.
Mesmo assim, 61% dos entrevistados consideram a inteligência artificial benéfica para a sociedade. Por outro lado, 53% demonstram preocupação com a possibilidade de substituição de empregos.
Para especialistas, o cenário exige ações de capacitação por parte de empresas, entidades e do poder público. A avaliação é que quem não aprender a usar essas ferramentas pode perder espaço no mercado de trabalho.
A pesquisa foi realizada em dezembro de 2025 e ouviu 4.101 pessoas em todo o Estado de São Paulo. Os dados indicam que a transformação digital já está em andamento, mas ainda há desafios para ampliar o uso e reduzir a desigualdade no acesso ao conhecimento.
