A balança comercial de Rio Preto, no período de janeiro a novembro de 2025, mostra um cenário marcado por avanços importantes nas exportações, mas ainda por um forte desequilíbrio nas contas. Mesmo antes da apuração final de dezembro, os números já mostram que a cidade continua comprando muito mais do que vende para o exterior, acumulando um déficit comercial significativo.

As exportações somaram US$ 61,2 milhões nos 11 primeiros meses do ano, o maior valor registrado na série histórica do município. O crescimento foi de 134% em relação ao mesmo período do ano passado, revelando um salto importante na capacidade de Rio Preto de alcançar novos mercados. Já as importações chegaram a US$ 158,2 milhões, valor que se manteve praticamente estável, com queda de apenas 0,9% em comparação a 2024. Essa diferença, no entanto, resultou em um saldo negativo de US$ 97 milhões, o que significa que, para cada dólar que Rio Preto vende, gasta cerca de 2,58 dólares para comprar produtos estrangeiros.
A pauta de exportações da cidade mostra forte presença de produtos de origem animal, que representam 20,6% das vendas, especialmente miudezas bovinas e suínas enviadas frescas, refrigeradas ou congeladas. Os produtos de origem animal aparecem em seguida, com 16,6%, e os produtos capilares somam 12,7%. Do lado das importações, o destaque também está nos produtos de origem animal, que representam 47,5% das compras externas, com grande peso para a importação de peixes frescos ou refrigerados. Plásticos, borrachas e produtos minerais completam a lista dos itens mais adquiridos.

Os parceiros comerciais de Rio Preto também ajudam a explicar parte desse cenário. Os Estados Unidos lideram como principal destino das exportações, recebendo 19,9% de tudo o que a cidade vende ao exterior. Na sequência aparece Mianmar, com 14,3%, seguido pelo Chile, que compra 11,4% dos produtos locais. Já entre os países dos quais Rio Preto mais importa, o Chile ocupa o primeiro lugar com ampla vantagem, respondendo por 48,1% de todas as compras externas do município. A China aparece em segundo, com 22,4%, seguida pela Alemanha, com 5,9%. Essa concentração deixa clara a dependência que a economia local tem de apenas dois grandes fornecedores internacionais.
A análise histórica reforça como o comportamento da balança comercial tem mudado ao longo dos anos. As importações cresceram de maneira expressiva desde 2000, quando registravam valores muito inferiores aos atuais. O pico foi alcançado em 2024, com US$ 173,97 milhões, número mais de 20 vezes maior que o verificado no início do século. Já as exportações, embora tenham apresentado oscilações ao longo do tempo, atingiram em 2025 o melhor desempenho da série, mostrando que a cidade vive uma fase de expansão no comércio exterior. Apesar disso, o déficit continua sendo uma realidade constante, presente em quase todos os anos desde 2000.
A balança comercial de Rio Preto em 2025 traz sinais claros de avanço, especialmente no crescimento expressivo das exportações. No entanto, o alto volume de importações mantém um déficit elevado, que chega a 97 milhões de dólares no ano. O desafio para os próximos períodos será buscar uma maior diversificação produtiva, ampliar a competitividade das empresas locais e reduzir a dependência externa.

Segundo o despachante aduaneiro Paulo Narcizo Rodrigues, da Caribbean Express, os dados mostram um cenário curioso: tanto nas exportações quanto nas importações de Rio Preto predominam produtos destinados ao consumo humano. “Na importação, o principal item são os peixes frescos e refrigerados; na exportação, destacam-se as miudezas comestíveis de bovinos, suínos, caprinos e ovinos”, observa. Ele ressalta que esses produtos não competem com a indústria local. Paulo também lembra que a pauta de exportações inclui forte presença de itens de origem animal, com 20,6% das vendas, além de produtos minerais e vegetais. Já nas importações, os itens de origem animal representam 47,5% das compras, seguidos por plásticos, borrachas e minerais.
O especialista acrescenta que o desempenho poderia ser ainda melhor se os Estados Unidos tivessem retirado o tarifário de 50% sobre móveis e cosméticos, já que desde julho o município deixou de exportar esses dois segmentos, antes muito representativos.
