A região de Rio Preto registrou 20 denúncias de assédio eleitoral após o segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo (25). O número faz parte das 80 denúncias recebidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) da 15ª Região, que abrange 599 municípios do interior de São Paulo, entre o fim da votação e as 9h30 desta quarta-feira (28). Em todo o ano, a regional já contabilizou 216 denúncias, das quais 37% foram feitas após o resultado eleitoral.
O aumento das reclamações chama a atenção para a continuidade de práticas de assédio eleitoral mesmo depois do encerramento da votação. Entre os casos relatados estão publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir funcionários por terem votado em determinado candidato.
Ameaças de demissão, dispensas, recusa de contratação e outras formas de retaliação motivadas pela escolha política dos trabalhadores podem configurar assédio eleitoral e ser alvo de investigação do MPT.
A procuradora Marina Tramonte, coordenadora regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), afirma que a liberdade de escolha política deve ser respeitada também no ambiente profissional.
“A autoridade do empregador restringe-se aos limites da atividade econômica. A consciência e a escolha eleitoral do funcionário continuam soberanas. Rescindir contratos de trabalho com base em preferências ideológicas é uma prática ilegal que será combatida pelo MPT”, afirma.
Em todo o interior paulista, a região de Ribeirão Preto teve o maior número de denúncias após o segundo turno, com 23 registros, seguida pela região de Rio Preto, com 20. Campinas contabilizou nove casos; Sorocaba, oito; Bauru e Presidente Prudente, sete cada; Araçatuba e Araraquara, quatro cada; e São José dos Campos, um.
No acumulado das eleições de 2026, a região de Campinas lidera, com 57 denúncias, seguida por Ribeirão Preto, com 42, e São José do Rio Preto, com 33. São José dos Campos soma 24 registros; Bauru, 22; Sorocaba, 18; Presidente Prudente, 13; Araraquara, quatro; e Araçatuba, três.
O MPT orienta quem sofreu ou presenciou assédio eleitoral a registrar denúncia pelo site www.prt15.mpt.mp.br, da regional do interior paulista, ou pelo portal nacional www.mpt.mp.br. O procedimento pode ser feito remotamente e de forma sigilosa.
Para ajudar na apuração, é importante guardar provas, como capturas de tela de mensagens e publicações em redes sociais, áudios, gravações de tela e informações sobre possíveis testemunhas. O órgão continua recebendo denúncias relativas a práticas ocorridas antes, durante e depois das eleições.

