Mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes no dia de sua prisão passaram a ser analisadas pela Polícia Federal no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
As informações foram divulgadas em reportagem da jornalista Malu Gaspar, publicada no jornal O Globo. Segundo a matéria, Vorcaro teria enviado mensagens ao ministro em 17 de novembro, data em que ocorreu sua primeira prisão.
De acordo com o relato, as mensagens teriam sido enviadas em uma tentativa de evitar a liquidação do Banco Master. Ao receber as comunicações, Alexandre de Moraes teria bloqueado o contato do empresário no aplicativo de mensagens.
A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o contato foi um desabafo do empresário diante da situação enfrentada naquele momento. Segundo os advogados, o banqueiro buscava informar o ministro sobre a negociação de venda do banco para o grupo Fictor, com o objetivo de demonstrar que a instituição teria condições de continuar operando.
A investigação também analisa relações comerciais e contratos firmados pelo Banco Master.
Entre os pontos apurados está um contrato de aproximadamente R$ 129 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo o Banco Master, o contrato teria como objetivo a prestação de serviços de compliance e assessoria jurídica.
A Polícia Federal investiga se os valores pagos eram compatíveis com os serviços prestados ou se haveria indícios de eventual tráfico de influência.
Arquivos encontrados no celular de Daniel Vorcaro também indicam que o empresário teria preparado explicações sobre sua relação com Alexandre de Moraes e sobre o contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes antes mesmo de ser preso.
Esses registros fazem parte da investigação conhecida como Operação Compliance Zero.
De acordo com a Polícia Federal, as apurações apontam que Vorcaro mantinha uma rede de contatos com autoridades, incluindo ministros e ex-ministros de tribunais superiores.
Segundo os investigadores, essa rede de relacionamentos teria sido construída por meio de encontros sociais, como jantares e eventos.
O caso também provocou mudança na relatoria do processo no Supremo Tribunal Federal.
Inicialmente, o processo estava sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli. Após apontamentos da Polícia Federal sobre possíveis ligações entre o ministro e o investigado, o próprio magistrado deixou a relatoria.
O processo foi então redistribuído e passou a ser conduzido pelo ministro André Mendonça no STF.
