O influenciador Hytalo Santos negou, em depoimento à Justiça, que seus vídeos com adolescentes tivessem cunho sexual. Ele disse que o conteúdo mostrava apenas coreografias e cenas do dia a dia ligadas ao brega funk, ritmo comum nas periferias de Recife e João Pessoa. Ainformação é do portal de notícias Léo Dias.
Hytalo afirmou que se sente injustiçado pelas denúncias. Segundo ele, nunca gravou cenas pornográficas e apenas registrava a rotina artística relacionada ao ritmo. Ele declarou que os passos podem ser vistos como sensuais por alguns internautas, mas que, para quem vive na periferia, são apenas parte da arte local.
O Ministério Público da Paraíba acusa Hytalo e o marido, Israel Vicente, de tráfico de pessoas, exploração sexual e produção e compartilhamento de pornografia infantil. Os investigadores dizem que adolescentes apareciam dançando nos vídeos e que alguns viviam na casa do casal em Bayeux.
Durante o depoimento, Hytalo foi questionado sobre comentários que sugeriam erotização. Ele disse que os vídeos tinham muita repercussão e que os comentários destacavam principalmente os personagens e não aspectos sexuais.
Ele também afirmou que não recebia pagamento das plataformas pelos vídeos com menores e que a renda vinha de publicidade e rifas. Disse ainda que os pais dos adolescentes recebiam ajuda financeira, mas sem acordo formal.
Quatro ex-funcionários, entre eles dois policiais militares, também prestaram depoimento. Eles disseram que não consideravam o conteúdo pornográfico, mas relataram que não tinham acesso a toda a casa.
O caso ganhou força após um vídeo do influenciador Felca, que denunciou a possível “adultização” das crianças. Hytalo e Israel foram presos em São Paulo e levados para a Paraíba. A defesa tenta revogar a prisão, mas o pedido foi negado.
Além da ação criminal, o Ministério Público do Trabalho acusa o casal de tráfico de pessoas para exploração sexual e de submeter menores a condições análogas à escravidão. A defesa ainda não se manifestou.
