O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta sexta-feira (5), que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. A informação, confirmada pela Folha de S. Paulo, já havia sido antecipada pela CNN Brasil.
Nas redes sociais, Flávio afirmou que assume a missão com “grande responsabilidade” e disse que seguirá o projeto político da direita. Ele escreveu que se coloca “diante de Deus e do Brasil” para conduzir a caminhada eleitoral.
A decisão, porém, não é unânime dentro do grupo bolsonarista. Aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro não receberam bem o anúncio. A escolha também causou desconforto em integrantes antigos do PL e reacendeu disputas internas na família Bolsonaro.
Nos últimos dias, a crise se intensificou após o diretório do PL no Ceará declarar apoio a uma possível candidatura de Ciro Gomes (PSDB). Michelle criticou publicamente o gesto, o que gerou reação dos filhos do ex-presidente e aumentou a tensão no grupo.
Enquanto o cenário político esquentava, o mercado financeiro reagiu de forma imediata. O dólar disparou após a notícia e chegou a R$ 5,43 no pico do dia. A Bolsa de Valores recuou quase 3%, pressionada pelo aumento da incerteza sobre o quadro eleitoral.
Especialistas apontam que a escolha de Flávio pode enfraquecer uma candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome visto por parte do mercado como alternativa mais competitiva contra o presidente Lula em 2026. Com a divisão da direita, investidores passaram a avaliar a possibilidade de maior instabilidade política.
Antes da reviravolta no cenário nacional, segundo a Folha, o mercado analisava dados econômicos dos Estados Unidos, incluindo indicadores de inflação e emprego que podem orientar a próxima decisão do Federal Reserve (Fed) sobre juros. A expectativa segue alta para um novo corte na taxa americana na próxima semana.
No Brasil, a decisão do Banco Central sobre a taxa Selic ocorre nos mesmos dias, mas o mercado já prevê a manutenção dos juros em 15%.
O anúncio de Flávio Bolsonaro, somado ao impacto na economia e às disputas internas da direita, marca um dos dias politicamente mais movimentados do fim de 2025.
