Vinte e oito famílias receberam ontem, em Brasília, certidões de óbito retificadas de parentes mortos durante a ditadura militar. O documento reconhece oficialmente que as mortes foram causadas por agentes do Estado no período de perseguição política.
Entre os familiares, estava Maria de Fátima Marinelli, de 68 anos, viúva do trabalhador rural Nativo da Natividade de Oliveira, morto em 1985. Ela se emocionou ao receber o documento, que descreve a morte do marido como violenta e causada pelo Estado brasileiro.
As histórias lembradas no evento mostram o sofrimento de famílias inteiras. Muitos filhos trabalharam desde cedo para sobreviver, e vários familiares precisaram deixar as cidades por perseguição.
A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, afirmou que o país tem o dever de preservar a memória e reconhecer as violações ocorridas. Segundo ela, ao menos 434 pessoas morreram em consequência da repressão da ditadura.
A presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Gonzaga, disse que outras entregas de certidões retificadas estão previstas para o próximo ano. Ela destacou que o ato honra a memória de homens e mulheres que lutaram pela democracia.
Para muitas famílias, o reconhecimento ajuda a contar a verdadeira história para filhos e netos, que agora podem compreender o que ocorreu com seus parentes.

