Os governos dos Estados Unidos e do Irã anunciaram neste domingo (14) que chegaram a um acordo para encerrar a guerra iniciada em fevereiro deste ano. Segundo informações divulgadas pelo portal de notícias do jornal Folha de S.Paulo, o tratado deverá ser assinado na próxima sexta-feira (19), na Suíça, após negociações mediadas pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif.
O presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou o entendimento por meio da rede social Truth Social, enquanto o governo iraniano informou ter concluído um memorando de entendimento após uma longa rodada de negociações diplomáticas. O acordo prevê o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes do conflito, incluindo ações no Líbano, além da suspensão do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos ao Irã e da reabertura do estreito de Hormuz a partir da próxima sexta-feira.
O entendimento representa apenas a primeira etapa das negociações. Após a assinatura oficial, está previsto um período de 60 dias para discutir temas considerados mais sensíveis, como a retirada de sanções econômicas e o futuro do programa nuclear iraniano. O rascunho também prevê a liberação de aproximadamente US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior e o compromisso do Irã de interromper o enriquecimento de urânio e não produzir ou adquirir armas nucleares. Permanecem divergências, entretanto, sobre o destino do material nuclear já enriquecido e sobre a manutenção da capacidade tecnológica do país.
O anúncio teve reflexos imediatos no mercado internacional de energia. Os contratos futuros do petróleo Brent registraram queda de cerca de 4%, enquanto o barril do petróleo WTI recuou 4,6%, após meses de forte valorização provocada pelo fechamento do estreito de Hormuz durante o conflito.
Apesar do avanço diplomático, a tensão permanece elevada na região. Também no domingo, Israel realizou um bombardeio nos subúrbios do sul de Beirute, no Líbano, deixando dois mortos e quatro feridos, segundo autoridades locais, em resposta a disparos atribuídos ao Hezbollah. O Irã condenou a ação e afirmou que os Estados Unidos não seriam capazes de garantir o cumprimento dos compromissos assumidos, enquanto Donald Trump declarou que o ataque israelense “não deveria ter acontecido” às vésperas do acordo. Autoridades israelenses afirmaram que o país não participou das negociações entre Washington e Teerã e mantiveram a posição de continuar suas operações militares no Líbano.
De acordo com a Folha de S.Paulo, o entendimento ocorre em um momento de desgaste político para Donald Trump, que completou 80 anos no domingo do anúncio e vinha enfrentando queda nos índices de aprovação em razão dos efeitos econômicos da guerra, especialmente a alta dos preços dos combustíveis e a pressão sobre o Partido Republicano para as eleições legislativas de novembro deste ano.

