As reformas econômicas discutidas pelo governo cubano na Assembleia Nacional têm como principal objetivo amenizar os efeitos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e não representam uma mudança para um modelo capitalista. A avaliação é do professor Maicon Cláudio da Silva, especialista em economia latino-americana da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Segundo o pesquisador, as medidas procuram oferecer maior flexibilidade aos investimentos estrangeiros, às importações e à gestão das empresas estatais em um momento de forte pressão sobre a economia da ilha, agravada pelo endurecimento das sanções norte-americanas e pela redução das receitas provenientes do turismo e da exportação de serviços médicos.
O programa em discussão prevê alterações nas políticas fiscal, cambial e comercial, além de descentralizar parte das decisões administrativas e ampliar mecanismos para atração de capital externo, mantendo o compromisso oficial com a promoção da justiça social.
Para o especialista, entretanto, o bloqueio econômico continua sendo um dos principais obstáculos ao desenvolvimento cubano, limitando investimentos, operações financeiras internacionais e a formação de um ambiente semelhante ao observado em países que adotaram modelos de economia de mercado.

