A artista baiana Nádia Taquary apresenta no Sesc Belenzinho, em São Paulo, a exposição “Ònà Irin: caminho de ferro”, inspirada nos balangandãs, peças usadas por mulheres negras com pingentes que misturam símbolos do cristianismo e das religiões de matriz africana. São 22 obras que homenageiam o orixá Ogum, o sagrado feminino e a resistência das mulheres negras.
Nádia explica que os balangandãs, feitos de ouro ou prata, surgiram como uma forma de poupança entre pessoas escravizadas, que juntavam bens e doações para tentar comprar a própria liberdade. “Não vejo nada ligado a acessório. Até uma penca de balangandãs nunca foi só um enfeite. Era uma forma de guardar a própria economia no corpo, porque não havia outra maneira”, disse a artista.
A mostra traz esculturas, instalações e vídeos que refletem a força e a espiritualidade feminina. Segundo Nádia, a inspiração vem também de uma joia que ganhou do pai, herdada da bisavó, da avó e da mãe. “A partir dela, entendi o protagonismo das mulheres negras diante de uma sociedade escravocrata e desigual”, contou.
Na Bienal de São Paulo, a artista também participa com a obra “Ìrókó: Árvore Cósmica”. Nádia destaca que sua arte valoriza o protagonismo negro na joalheria afro-brasileira e busca resgatar a estética da opulência presente nas tradições africanas.
A exposição fica aberta até 22 de fevereiro de 2026. A entrada é gratuita.
Serviço
Ònà Irin: caminho de ferro, de Nádia Taquary
Local: Sesc Belenzinho – Rua Padre Adelino, 1000, São Paulo
Período: até 22 de fevereiro de 2026
Horário: terça a sábado, das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 18h
Classificação: livre
Entrada gratuita
Telefone: (11) 2076-9700
Site: sescsp.org.br/Belenzinho

