Em São Paulo, as duas vagas para o Senado ficaram com Guilherme Derrite (PP), com cerca de 30,6% dos votos, e André do Prado (PL), com 29,3%. Ficaram de fora Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que deixaram cargos no primeiro escalão do governo Lula — Planejamento e Meio Ambiente, respectivamente — apostando nas cadeiras paulistas e não conseguiram emplacar a candidatura.
O resultado tem efeito direto sobre um debate que já vinha esquentando havia meses: o avanço de pedidos de impeachment contra ministros do STF, impulsionado principalmente pela repercussão em torno do ministro Alexandre de Moraes. Levantamentos feitos logo após a apuração indicam que a nova legislatura, que toma posse em 2027, terá pelo menos 51 senadores que já se declararam favoráveis à abertura de processos contra integrantes da Corte — ainda três votos abaixo dos 54 necessários para um afastamento definitivo.
Entre os eleitos que já defenderam publicamente a medida estão o próprio Derrite, além de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal, e Carlos Portinho, no Rio de Janeiro. Mesmo sem maioria absoluta, o resultado deve reforçar a pressão sobre o Supremo justamente no momento em que Moraes se prepara para assumir a presidência da Corte — um cenário que promete manter a relação entre os Poderes sob tensão nos próximos anos.

