A empresa Braskem fechou um acordo com o governo de Alagoas para pagar R$ 1,2 bilhão em indenizações pelos desmoronamentos do solo que atingiram vários bairros de Maceió. O desastre foi provocado pela extração de sal-gema, atividade desenvolvida pela companhia por décadas na capital alagoana.
De acordo com a empresa, o valor será pago em dez parcelas anuais, e R$ 139 milhões já foram repassados. O restante será quitado até 2035, conforme a capacidade de pagamento da companhia. O acordo ainda precisa ser homologado pela Justiça.
Em nota, a Braskem informou que o acerto prevê a reparação integral dos danos patrimoniais e morais, além do encerramento de uma ação judicial movida pelo estado. “O acordo representa um avanço importante para a companhia diante dos impactos do evento geológico em Alagoas”, afirmou a empresa.
O caso teve início em 2018, quando o solo começou a afundar nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. A exploração do sal-gema provocou instabilidade nas minas subterrâneas e comprometeu milhares de imóveis. Estima-se que mais de 60 mil moradores tiveram de deixar suas casas por risco de desabamento.
As consequências continuam sendo sentidas anos depois. Em 2023, a prefeitura de Maceió decretou estado de emergência por risco de colapso em uma das minas. A Defesa Civil monitora a região e acompanha os danos causados pelo afundamento.
A Polícia Federal também investigou o caso e indiciou 20 pessoas em 2023. Em julho deste ano, a Defensoria Pública de Alagoas pediu uma nova indenização de R$ 4 bilhões para compensar a desvalorização dos imóveis nas áreas afetadas.
A Braskem é controlada pela Novonor (antiga Odebrecht) e tem a Petrobras como sócia, com 47% das ações com direito a voto.

