O Bloco Zona do Mangue e Vila Mimosa voltou às ruas da Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, com o objetivo de valorizar a memória cultural da região e promover a integração das trabalhadoras do sexo que atuam no local, historicamente marcado pelo estigma da prostituição.
Durante o desfile, o locutor do carro de som pediu aplausos para as trabalhadoras do sexo e dedicou músicas a elas. Apesar das homenagens, muitas preferiram acompanhar o bloco à distância, observando das calçadas ou dos bares. É o caso de Estrela, de 58 anos, que afirmou ter receio de se expor.
Criado em 2018 por moradores da região, o bloco busca resgatar a história da antiga Zona do Mangue e mostrar a potência cultural da Vila Mimosa. No entanto, a integração das trabalhadoras ao desfile ainda enfrenta dificuldades, segundo a presidente do bloco e assistente social Cleide Almeida.
“Algumas trabalhadoras têm medo de serem filmadas e aparecerem na mídia. Outras querem desfilar, mas isso só acontece com mais força quando há apoio financeiro e projetos sociais, o que hoje não temos”, explicou.
Para Felipe Vasconcellos, integrante da banda Enxota que eu vou, questões sociais e econômicas também dificultam a participação. Ele destaca que muitas mulheres trabalham até tarde, têm filhos e outras responsabilidades.
Mesmo sem desfilar, Laísa, de 21 anos, vê o bloco como algo positivo. “Ajuda a valorizar a região e a gente. Ainda existe muito preconceito, e o bloco alerta para isso”, afirmou.
A organização destaca que o principal objetivo é mudar a visão negativa sobre a Vila Mimosa e mostrar que as trabalhadoras do sexo são mulheres como quaisquer outras, com histórias, famílias e direitos.

