A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmou que a forma como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foram implantadas no Rio de Janeiro contribuiu para a expansão nacional da facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Segundo o coordenador de Análise de Conjuntura Nacional da Abin, Pedro de Souza Mesquita, a chegada das UPPs fez com que líderes do grupo deixassem o Rio e se espalhassem por outros estados. “A fagulha desse processo é uma consequência negativa do próprio projeto das UPPs”, disse Mesquita durante audiência no Senado.
Ele explicou que o movimento começou em 2013 e atingiu seu ponto mais alto no ano passado. Hoje, o Comando Vermelho tem presença em quase todos os estados, com atuação mais forte no Norte e Centro-Oeste, e influência crescente em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
O avanço da facção, segundo a Abin, foi impulsionado pela parceria com outros grupos que buscavam enfrentar o Primeiro Comando da Capital (PCC), originado em São Paulo. “O CV passou a oferecer acesso a armas e drogas por meio de uma rede mais descentralizada, o que facilitou sua expansão”, afirmou o coordenador.
Durante a audiência, Mesquita também destacou que, enquanto o Comando Vermelho ampliou sua atuação dentro do país, o PCC tem se expandido para fora do Brasil, estando presente hoje em 28 países.
Em nota, o governo do Rio de Janeiro afirmou que a expansão do Comando Vermelho não pode ser atribuída apenas às UPPs. A Secretaria de Segurança reconheceu que o projeto priorizou a ocupação territorial, mas sem políticas públicas que garantissem sua continuidade.

