O número de brasileiros com 60 anos ou mais inseridos no mercado de trabalho cresceu 53% nos últimos dez anos, percentual superior ao avanço de 37% registrado pela própria população dessa faixa etária no período. Os dados são de um estudo divulgado pela empresa de pesquisa e inteligência de dados Nexus, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE.
Entre 2016 e 2025, a quantidade de idosos no país passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões de pessoas, enquanto o contingente de trabalhadores com mais de 60 anos aumentou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões. Com isso, um em cada quatro idosos estava ocupado no mercado de trabalho no fim do ano passado, a maior proporção registrada na última década.
Apesar do crescimento da participação desse público na atividade econômica, o levantamento revela que 53% dos trabalhadores com 60 anos ou mais atuam na informalidade, índice superior ao observado na população em geral, de 38%, e entre jovens de 18 a 24 anos, de 41%. A informalidade inclui empregados sem carteira assinada e trabalhadores autônomos sem registro empresarial, que não contam com direitos como férias remuneradas, décimo terceiro salário e contribuição previdenciária.
Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o cenário apresenta aspectos positivos e preocupantes. Segundo ele, o aumento da participação dos idosos demonstra que muitas pessoas permanecem ativas e produtivas, mas também evidencia uma precarização da aposentadoria, já que muitos continuam trabalhando para complementar a renda. O estudo conclui que o envelhecimento da força de trabalho exige políticas públicas voltadas à formalização do emprego e à adaptação das empresas para promover inclusão geracional.

