Quatro anos após o início da invasão da Ucrânia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, enfrenta um cenário mais adverso do que o projetado no início do conflito. A guerra, que deveria consolidar o protagonismo geopolítico de Moscou, ampliou o isolamento do país no Ocidente, aprofundou sanções econômicas e impôs custos elevados à economia russa.
Desde 2022, Estados Unidos e União Europeia ampliaram pacotes de sanções que atingem setores estratégicos como energia, tecnologia e sistema financeiro. Embora a Rússia tenha buscado ampliar relações com China, Índia e países do chamado Sul Global, a dependência dessas parcerias aumentou e reduziu a margem de manobra do Kremlin.
Internamente, o governo reforçou o controle político e ampliou restrições à oposição e à imprensa. Ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades econômicas como inflação persistente, desvalorização cambial e pressão sobre o orçamento federal devido aos gastos militares.
Analistas avaliam que, embora Putin mantenha controle institucional e apoio de parte significativa da elite política e militar, o projeto de reposicionar a Rússia como potência global incontestável sofreu abalos. A continuidade do conflito e a ausência de perspectiva clara de negociação ampliam as incertezas sobre o futuro estratégico do país.
