Especialistas debateram nesta segunda-feira (24), na Câmara dos Deputados, a situação das jovens mulheres negras no mercado de trabalho brasileiro. O encontro antecede a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, marcada para esta terça-feira (25).
Dados da Pnad mostram que jovens negras recebem até 102% menos do que jovens brancas. A informalidade também é maior: 40,8% entre negras, contra 32,4% entre brancas. A taxa de desemprego entre jovens negras chegou a 16% no terceiro trimestre de 2024, o dobro da registrada entre jovens brancos.
Representantes de entidades destacaram que o problema é estrutural e envolve fatores como responsabilidades de cuidado, gravidez na adolescência e falta de oportunidades locais. O estudo também apontou que 45,7% das mulheres empregadas estavam há menos de um ano no trabalho.
O Ministério da Igualdade Racial apresentou ações voltadas a ampliar a presença de pessoas negras em cargos de liderança e a criar políticas públicas que considerem a realidade dessas jovens. Uma das dificuldades apontadas é a falta de recursos para implementação dos programas.
O debate também tratou da participação política e da aplicação de regras que incentivam candidaturas de pessoas negras. Para especialistas, enfrentar o racismo no ambiente de trabalho exige políticas claras e fiscalização contínua.

