O rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana (MG), completa dez anos neste 5 de novembro. O desastre matou 19 pessoas, destruiu comunidades inteiras e deixou mais de 600 desabrigados.

A auxiliar de dentista Mônica Santos, que vivia no distrito de Bento Rodrigues, lembra que saiu de casa cedo para trabalhar naquele dia. Quando voltou, a casa estava coberta de lama. “É como se estivesse tudo acontecendo agora”, disse. Hoje, ela mora em Novo Bento Rodrigues, novo assentamento entregue pela Samarco, mas afirma que as casas ainda têm problemas e que muitas famílias continuam sem moradia.
Mônica diz que não vai desistir de buscar justiça. “Enquanto eu tiver força, vou lutar para que todos sejam indenizados e tenham sua casa de volta”, afirma. Ela também cobra que os imóveis sejam registrados em nome dos desabrigados.
O rompimento liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério, atingindo várias comunidades e o Rio Doce, que ficou contaminado até o Espírito Santo.
O promotor de justiça Guilherme de Sá Meneguin, do Ministério Público de Minas Gerais, lembra que o desastre afetou cerca de 3 milhões de pessoas. “Mais do que um crime ambiental, foi uma grave violação dos direitos humanos”, afirmou.
Segundo a empresa Samarco, já foram destinados R$ 68,4 bilhões em ações de reparação e compensação, sendo R$ 32,1 bilhões pagos em 735 mil acordos individuais.
Para o agricultor Francisco de Paula Felipe, que também perdeu tudo, o importante agora é reconstruir a vida. “Tem dois meses que me mudei pra casa nova. Não foi fácil viver esses dez anos, mas espero ter saúde pra seguir em frente e ver minhas filhas estudarem”, disse.
Mesmo após uma década, a dor e o sentimento de perda continuam vivos em quem viu a lama levar casas, histórias e sonhos.

