A vacina Butantan-DV, aprovada recentemente pela Anvisa, é fruto de um trabalho iniciado em 2009. Naquele ano, o Brasil registrou mais de 1 milhão de casos de dengue e quase 900 mortes, o que motivou o Instituto Butantan a buscar uma solução brasileira para a doença.

A parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos permitiu o uso das quatro cepas atenuadas do vírus. A fase 1 dos testes foi feita nos EUA, entre 2010 e 2012, com 113 voluntários. A vacina apresentou boa segurança e 90% de resposta imunológica.

Enquanto isso, no Brasil, os pesquisadores do Butantan realizaram quase 300 experimentos até chegar à formulação final. Entre 2013 e 2015, a fase 2 foi feita com 300 adultos no país, mostrando segurança e eficácia mesmo em pessoas que já tinham tido dengue.
Em 2016 começou a fase 3, com 16 mil voluntários de 2 a 59 anos em 14 estados. O estudo acompanhou os participantes por cinco anos. Os primeiros resultados foram divulgados em 2024, indicando eficácia geral de quase 80% e mais de 89% contra dengue grave.
A aprovação para pessoas de 12 a 59 anos veio com base no acompanhamento completo da fase 3. A expectativa é que a vacina entre no Programa Nacional de Imunizações em 2026.
O registro ocorre após o Brasil enfrentar a maior epidemia de dengue da história. Em 2024 foram 6,5 milhões de casos prováveis. Em 2025 já são 1,6 milhão. A doença circula no país desde a década de 1980.

