A nova edição da pesquisa TIC Domicílios 2025, divulgada pelo Cetic.br e pelo CGI.br, mostra que o acesso à internet segue em expansão no Brasil, mas ainda apresenta diferenças marcantes entre classes sociais, escolaridade e regiões do país. O levantamento ouviu mais de 27 mil domicílios e 24 mil pessoas entre março e agosto deste ano, e revela que 86% das residências brasileiras já têm algum tipo de conexão, número superior aos 83% registrados em 2024 e muito distante da realidade de dez anos atrás, quando apenas metade das casas possuía acesso.
Os dados mostram que o avanço ocorre de forma desigual. Entre as famílias da classe A, a internet é praticamente universal há vários anos. Na classe B, o índice chega a 98%. A classe C também apresenta crescimento expressivo, com 92% das residências conectadas. Porém, a classe DE ainda registra apenas 73% de domicílios com acesso, evidenciando que a renda continua sendo um fator determinante para a inclusão digital no país.
A pesquisa também indica que o tipo de conexão evoluiu. A fibra óptica se tornou predominante e atinge 73% das casas brasileiras, contra 28% em 2016. Em paralelo, o uso da internet móvel como forma principal de acesso caiu pela metade nesse período. Entretanto, entre as famílias mais pobres, a expansão da fibra ainda encontra limites. Na classe A, 95% utilizam esse tipo de conexão. Na classe B, o índice é de 88%, e na classe C, 75%. Já na classe DE, apenas 60% têm acesso por cabo ou fibra, embora tenha sido o grupo que mais avançou no último ano.
Mesmo com a expansão da internet, o computador ainda é um equipamento pouco presente nos lares brasileiros. Apenas 32% das casas possuem um. Entre os mais ricos, o computador está em quase todas as residências, alcançando 97% da classe A e 78% da classe B. Mas na classe C, o percentual cai para 34%, e na classe DE, somente 10% das famílias possuem o aparelho, o que limita o acesso pleno a atividades escolares, profissionais e serviços públicos digitais.
O estudo mostra que 85% dos brasileiros usam internet, o que representa cerca de 157 milhões de pessoas. Se forem incluídos aplicativos que dependem de conexão, o total sobe para 163 milhões. No entanto, ainda existem 28 milhões de brasileiros desconectados. O grupo é formado principalmente por pessoas mais pobres, idosos, indivíduos com baixa escolaridade e moradores de áreas rurais ou do Nordeste. Entre os idosos com mais de 60 anos, apenas 54% utilizam internet. Entre pessoas com ensino fundamental, o índice é de 74%. Já nas classes mais baixas, o uso chega a 74%, ainda distante da média nacional.
O celular
O celular continua sendo o principal meio de acesso no país. A pesquisa mostra que 65% dos usuários utilizam apenas o telefone para navegar. Entre as classes mais pobres, essa dependência é ainda maior: 87% dos usuários da classe DE usam somente o celular. Entre idosos, o índice é de 81%. Essa realidade está diretamente associada a outro problema identificado: a falta de dados móveis. Segundo o levantamento, 64 milhões de brasileiros ficaram sem pacote de internet nos últimos três meses. Na classe A, isso atingiu 12% das pessoas. Na classe DE, quase metade dos usuários perdeu acesso ao plano de dados recentemente. E quando isso acontece, o impacto é grande. Um quarto dos moradores de áreas rurais e do Norte afirma que fica totalmente impossibilitado de usar aplicativos quando os dados acabam, o que afeta estudos, trabalho, comunicação e serviços públicos.
A pesquisa também revela mudanças no uso de ferramentas digitais. O PIX se consolidou como o principal meio eletrônico de pagamento, utilizado por 75% dos entrevistados. O estudo mostra ainda que o uso de inteligência artificial generativa cresceu rapidamente no país. Em 2025, 32% dos brasileiros utilizaram algum recurso do tipo. O uso é maior entre jovens de 16 a 24 anos, chegando a 55%, e entre pessoas com ensino superior, com 59%. Nas classes mais altas, o índice chega a 69%, mas na classe DE, apenas 16% tiveram contato com essas tecnologias. A IA é utilizada principalmente para tarefas pessoais e pesquisas escolares, sendo usada por 84% e 58% dos usuários, respectivamente. Entre crianças e adolescentes, 87% já recorreram a IA para estudos.
O acesso a serviços públicos pela internet também cresceu. A pesquisa mostra que 71% dos usuários realizaram algum serviço digital em 2025, como emissão de documentos ou consultas em plataformas oficiais. O uso do Gov.br atingiu 56% da população. Ainda assim, o acesso permanece desigual. Pessoas com ensino superior e famílias de maior renda são as que mais utilizam os serviços digitais, enquanto grupos mais vulneráveis ainda dependem de atendimento presencial.
O conjunto dos dados indica que, embora o Brasil esteja mais conectado e com redes mais modernas, a experiência digital ainda não é igual para todos. O avanço da fibra, a popularização do Pix e o crescimento do uso de inteligência artificial mostram um país que evolui tecnologicamente. No entanto, a falta de computadores, a dependência do celular, a interrupção frequente de pacotes de dados e as diferenças marcantes entre classes sociais revelam que milhões de brasileiros continuam enfrentando barreiras para acessar plenamente a vida digital. A pesquisa destaca que o país conseguiu conectar a maior parte da população, mas ainda não garantiu igualdade na qualidade e continuidade desse acesso.

