Uma cobertura tríplex ainda em construção no empreendimento de luxo Vizcaya Itaim, em São Paulo, foi colocada à venda poucos dias antes da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso envolvendo o Banco Master. A informação é do portal da Folha de S. Paulo desta sexta-feira (6).
O imóvel possui 12 vagas de garagem e projeto arquitetônico assinado pelo arquiteto João Armentano. A negociação previa a cessão da unidade pelo valor de R$ 60 milhões.
A tentativa de venda ocorreu entre os dias 14 e 17 de novembro. No mesmo período, Daniel Vorcaro foi preso e foi anunciada a venda do Banco Master, operação que investigadores consideram ter sido usada como uma possível tentativa de desviar a atenção.
O imóvel pertence à empresa Viking, ligada a Vorcaro. Mensagens analisadas na investigação indicam que, apesar de ter deixado formalmente a administração da empresa meses antes, ele continuava tomando decisões sobre os negócios.
A representante Regiane Bernardes teria recebido autorização de Vorcaro para conduzir a negociação e concluir a venda.
A intermediação do negócio envolveu a imobiliária Victorino Imóveis, que representava a parte vendedora. Também participaram do processo a Bolsa de Imóveis e a Lucio Engenharia, responsáveis pelo empreendimento.
O comprador foi representado pelo advogado Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União no governo Bolsonaro. O nome do interessado na compra não foi divulgado nos e-mails trocados durante a negociação.
A troca de mensagens mostra que a negociação começou na sexta-feira, 14 de novembro, com pedidos de documentos, incluindo guia de ITBI e dados do comprador.
No dia 17 de novembro, data em que Vorcaro foi preso, a representante do empresário solicitou urgência máxima para a assinatura digital do compromisso de compra e venda.
Durante o dia houve diversas cobranças pela emissão de um termo de quitação do imóvel, documento necessário para concluir a negociação.
Às 16h35, cerca de um minuto após a Justiça Federal expedir o mandado de prisão de Vorcaro, ele enviou mensagem confirmando que sua representante tinha autonomia total para agir em seu nome.
Apesar das tentativas, a venda não foi concluída. O banqueiro foi preso naquela noite e, no dia seguinte, o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master.
Procurado, o advogado Bruno Bianco afirmou que atuou apenas como representante do interessado na compra e que não tinha conhecimento sobre eventual prisão ou bloqueio de bens envolvendo o vendedor.
A Bolsa de Imóveis informou que não comenta detalhes de negociações por motivo de sigilo contratual. Daniel Vorcaro não quis se manifestar sobre o caso.

