O uso de inteligência artificial nas investigações criminais voltou ao centro do debate após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Corte anulou, de forma unânime, um relatório produzido com auxílio de inteligência artificial e determinou a retirada do material de um processo de injúria racial em Rio Preto.

O caso envolve o vice-prefeito Fábio Marcondes (PL). Para o STJ, o documento elaborado com base em IA não pode ser considerado prova pericial válida. A decisão reforça a necessidade de critérios técnicos e validação adequada no uso de novas tecnologias dentro do sistema de Justiça.
O avanço da inteligência artificial nas investigações já é uma realidade. Ferramentas como reconhecimento facial, análise de dados e sistemas automatizados vêm sendo utilizadas pelas forças de segurança. No entanto, especialistas apontam que o problema está no uso sem controle ou sem transparência.
Segundo o advogado Daniel Vicente Romero, o risco não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é aplicada. Ele afirma que a inteligência artificial pode ser útil, mas não pode substituir critérios técnicos e jurídicos, especialmente quando não há clareza sobre o funcionamento dos sistemas.
A decisão do STJ também expõe uma fragilidade importante. Muitos sistemas de inteligência artificial operam sem explicar como chegaram às conclusões, o que dificulta o direito de defesa e o contraditório. Sem possibilidade de auditoria, o material não pode ser tratado como prova técnica.
Outro ponto levantado é o risco de vieses. Sistemas treinados com dados distorcidos podem gerar interpretações equivocadas e até direcionar investigações de forma indevida, o que pode levar a acusações contra pessoas inocentes.
A discussão também envolve a coleta e o uso de dados. O uso de tecnologias como reconhecimento facial em locais públicos levanta questionamentos sobre privacidade e limites legais.
Para especialistas, a decisão não impede o uso da inteligência artificial, mas estabelece limites claros. Sem metodologia verificável, validação técnica e possibilidade de revisão, o material não pode ser aceito como prova.
O cenário aponta para a necessidade de regulamentação mais clara. O uso da tecnologia tende a crescer, mas com maior exigência de segurança jurídica e controle.
No fim, o desafio é equilibrar inovação e garantias legais. A tecnologia pode ajudar nas investigações, mas sem regras bem definidas, pode comprometer o próprio sistema de Justiça.

