O salário médio dos profissionais de animação no Brasil caiu 12,1% entre 2019 e 2025, passando de R$ 7.980 para R$ 7.010. A maioria trabalha como freelancer, sem vínculo empregatício ou direitos garantidos por lei, e está concentrada em pequenas empresas. É o que revela o 2º Mapeamento da Animação no Brasil, feito pelo Instituto Iniciativa Cultural, com apoio do Ministério da Cultura.
O levantamento mostrou que poucos profissionais prestam serviços para empresas estrangeiras e ainda menos internacionalizam suas criações. A pesquisa ouviu 466 pessoas, incluindo produtores, estúdios, prestadores individuais e realizadores audiovisuais.
Apesar da queda salarial, muitos profissionais têm carreira longa, de 10 a mais de 20 anos, e boa capacidade no uso de inteligência artificial e animação digital 2D. Por outro lado, técnicas tradicionais como stop motion e motion graphics estão sendo usadas com menos frequência.
Segundo Alessandra Meleiro, coordenadora do estudo, apenas 2% dos freelancers trabalham exclusivamente para o exterior. A maior parte presta serviços para empresas brasileiras ou mistas, com destaque para Estados Unidos, Argentina, França, Índia e Peru. A baixa internacionalização é atribuída ao câmbio desfavorável e à oferta de talentos nacionais.
A pesquisa também aponta oportunidades em cargos especializados que têm escassez de profissionais, como animador e rigger, diretor de animação e produtor executivo. Meleiro destaca que o setor tem potencial inexplorado no Brasil e no exterior, e que a participação em eventos da área é importante para networking, negócios e valorização do trabalho.

