Um levantamento do Instituto Patrícia Galvão, em parceria com o Locomotiva e apoio da Uber, mostrou que 9 em cada 10 brasileiras já sofreram algum tipo de violência ao sair de casa à noite para atividades de lazer. A maioria dos casos tem relação com assédio sexual, cantadas invasivas e importunação.
O estudo mostra ainda que 10% das mulheres sofreram estupro em deslocamentos noturnos. Entre mulheres LGBTQIA+, esse índice dobra. Os dados também indicam que mulheres pretas são as mais atingidas nos casos de assédio, agressão física, estupro e racismo.
O medo de sair sozinha à noite afeta quase todas as brasileiras: 98% disseram temer ser vítimas de violência. Por isso, muitas já desistiram de ir a bares, shows ou eventos por sentirem insegurança. O número chega a 66% entre mulheres negras.
A pesquisa também aponta os meios de transporte em que elas mais se sentem vulneráveis. O risco é maior ao caminhar a pé ou usar ônibus. Já o uso de carro de aplicativo, metrô, trem ou táxi também apresenta riscos, mas em porcentagem menor.
As estratégias usadas para tentar evitar a violência incluem avisar alguém sobre o trajeto, evitar ruas escuras, sair acompanhada e até mudar o tipo de roupa. Mesmo assim, 42% das mulheres já presenciaram violência contra outra pessoa durante a noite.
O estudo ouviu 1.200 mulheres entre 18 e 59 anos, com dados coletados em setembro.

