Um levantamento da Rede de Observatórios da Segurança indica que, em média, 12 mulheres foram vítimas de violência por dia em nove estados brasileiros monitorados durante o ano de 2025.
O estudo analisou casos divulgados nas mídias nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Ao todo, foram registrados 4.558 casos de violência contra mulheres, número que representa aumento de 9% em relação a 2024.
Entre os episódios analisados estão casos de agressão física, violência sexual, feminicídio e outras formas de violência.
O relatório também apontou crescimento significativo nos registros de violência sexual. Foram contabilizados 961 casos de estupro ou violência sexual em 2025.
Esse número representa aumento de 56,6% em relação ao ano anterior, quando haviam sido registrados 602 casos.
Entre as vítimas, 56,5% eram meninas com idade entre 0 e 17 anos.
Outro dado apontado pelo levantamento é a relação entre vítimas e agressores. Segundo os pesquisadores, 78,5% dos casos foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
O estudo também registrou 546 feminicídios e sete transfeminicídios.
Quando considerados homicídios, feminicídios e transfeminicídios, o total de mortes chegou a 1.004 casos.
A pesquisa chama atenção ainda para a falta de informações raciais nos registros de violência divulgados pela mídia. Em 86,7% dos casos não havia identificação de raça ou cor das vítimas.
Os pesquisadores afirmam que essa ausência de dados dificulta a elaboração de políticas públicas específicas para enfrentar o problema.
No recorte regional, alguns estados apresentaram indicadores mais preocupantes.
No Amazonas, por exemplo, 78,4% das vítimas de violência sexual eram crianças ou adolescentes.
No Pará houve aumento de 76% nos casos de violência contra mulheres, o maior crescimento entre os estados analisados.
No Rio de Janeiro, cerca de 39,1% das ocorrências foram registradas na capital.
O relatório recomenda a ampliação de políticas públicas de prevenção e educação para combater a violência contra mulheres.
Segundo os pesquisadores, muitas medidas atuais são adotadas apenas após a ocorrência das agressões.
A autora do principal texto do relatório, Flávia Melo, afirma que enfrentar o problema exige mudanças culturais e ações educativas.
Casos de violência contra mulheres podem ser denunciados pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia.
Também é possível registrar denúncias em delegacias especializadas de atendimento à mulher, em delegacias comuns ou por meio dos telefones 190 e 100.

