A Receita Federal iniciou um pente-fino interno para identificar possíveis quebras de sigilo de dados de cerca de 100 pessoas. A lista inclui os dez ministros do Supremo Tribunal Federal e familiares diretos, como pais, filhos, irmãos e cônjuges. A informação é da Folha de S. Paulo, publicada neste domingo (15).
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News, aberto em 2019. Auditores da Receita terão de realizar aproximadamente 8 mil procedimentos de checagem em 80 sistemas diferentes. Os relatórios estão sendo enviados diretamente ao gabinete de Moraes.
A medida ocorre em meio à crise institucional provocada pela quebra e liquidação do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. Nos bastidores, ministros do STF suspeitam que a Polícia Federal possa ter investigado magistrados sem respaldo legal. Já investigadores da PF avaliam que decisões do ministro Dias Toffoli teriam atrapalhado apurações sobre o banco.
Magistrados também estendem a responsabilidade política das condutas da PF e da Receita ao Palácio do Planalto, já que os comandos dos dois órgãos são de confiança do governo federal.
Moraes solicitou as informações em janeiro, após a divulgação de possíveis ligações entre familiares dele e de Dias Toffoli com o Banco Master. Em fevereiro, a crise ganhou novo capítulo quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou relatório ao ministro Edson Fachin com mensagens que tratariam de pagamentos do dono do banco à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio.
Na semana passada, Toffoli se afastou da relatoria do caso Master após reunião fechada com os demais ministros. Há suspeita de que o conteúdo desse encontro tenha sido vazado ao site Poder 360, hipótese negada pelo ministro. Ele confirmou ser sócio da Maridt, ligada ao resort Tayayá, mas nega ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro.
Procurada, a Receita Federal afirmou que não comenta demandas judiciais para preservar o sigilo tributário e informou que o caso tramita sob segredo de Justiça. O gabinete de Alexandre de Moraes não se manifestou. A Polícia Federal declarou que, no momento, não participa da busca por possíveis vazamentos na Receita.

