Uma nova pesquisa sobre racismo religioso no Brasil mostrou que 76% dos terreiros sofreram algum tipo de violência nos últimos dois anos. O estudo ouviu líderes de 511 casas religiosas e trouxe relatos de invasões, depredações, furtos, agressões verbais, ameaças e discriminação policial.
Em Aracaju, um terreiro foi invadido e teve objetos sagrados destruídos. Em São Paulo, até um desenho feito por uma criança gerou intimidação policial dentro de uma escola. Esses episódios mostram que o racismo religioso ultrapassa a intolerância e se transforma em ataques diretos às religiões de matriz africana.
Segundo o levantamento, 80% dos terreiros relataram ter sofrido racismo religioso e 52% afirmaram ter recebido ataques pelas redes sociais. Mesmo assim, menos de três em cada dez registraram boletim de ocorrência.
A pesquisa foi desenvolvida pela Renafro e pelo Ilê Omolu Oxum, com apoio do Ministério dos Direitos Humanos. Os dados foram apresentados na ONU. Para os pesquisadores, é urgente ampliar políticas públicas e ações de proteção às comunidades religiosas.
O racismo religioso é crime no Brasil. Casos podem ser denunciados à Polícia Militar pelo 190 ou pelo Disque 100, de forma gratuita e anônima.

