Passado mais de um mês do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o americano Donald Trump, as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros continuam valendo. Apesar do clima amistoso e dos elogios trocados entre os dois líderes, não houve nenhum avanço concreto nas negociações. A informação é do portal de notícias do jornal Gazeta do Povo.
Desde agosto, as exportações brasileiras enfrentam o chamado “tarifaço”, que atinge produtos como carne e café. Lula chegou a dizer que o problema seria resolvido “em poucos dias”, mas as conversas entre as equipes dos dois governos não saíram do lugar.
Após o encontro entre os presidentes, representantes dos dois países se reuniram em Kuala Lumpur, na Malásia. O Brasil pediu a retirada temporária das tarifas extras de 40%, mantendo apenas 10% de cobrança recíproca. Nenhum acordo foi fechado. Uma nova reunião que aconteceria em Washington foi adiada, sem nova data.
O governo americano afirma que ainda está “analisando o formato” de um possível acordo e que esse processo pode levar “semanas ou meses”. Enquanto isso, o setor produtivo brasileiro demonstra pouca esperança.
Para o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral, “não está nada garantido”. Já o especialista em comércio Jackson Campos diz que Trump está disposto a negociar por pressão do próprio empresariado americano, que reclama do aumento de custos.
Outros analistas lembram que o Brasil não é prioridade para os Estados Unidos, que estão focados nas disputas comerciais com a China e a Europa. Washington também quer garantias para empresas de tecnologia e acesso a minerais e ao mercado brasileiro de etanol.
Trump, segundo observadores, mantém o controle total da negociação. Enquanto enfrenta pressões políticas dentro dos Estados Unidos, o republicano deve usar o tema comercial com o Brasil de forma estratégica.
Mesmo assim, parte do empresariado acredita em algum avanço nos próximos meses — talvez uma redução parcial das tarifas ou a ampliação de exceções. Até lá, prevalece a percepção de que a “química” entre Lula e Trump, sozinha, não basta para mudar o rumo das negociações.
