Ao defender na Câmara Municipal de Casa Branca o convênio de R$ 11,9 milhões firmado com a Prefeitura de São José do Rio Preto, o provedor da Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, William Lemes, decidiu comparar a estrutura do hospital da cidade de 28 mil habitantes com a da Santa Casa de Misericórdia de Rio Preto, uma das principais unidades contratadas pelo SUS para atendimento da população rio-pretense, que ultrapassa 505 mil moradores.
Durante o discurso, William afirmou que a Santa Casa de Casa Branca possui “quase 300 colaboradores” entre funcionários CLT e prestadores de serviço e questionou por que o hospital de Casa Branca estaria sendo criticado por firmar contrato com Rio Preto.
A comparação chamou atenção pelo tamanho das estruturas envolvidas.
Enquanto Casa Branca possui cerca de 28.083 habitantes, Rio Preto tem mais de meio milhão de moradores e mantém uma rede pública de saúde regionalizada, atendendo pacientes de dezenas de municípios do interior paulista.
A Santa Casa de Rio Preto, além de ser hospital contratado pelo SUS municipal, possui oficialmente 289 leitos totais, sendo aproximadamente 188 destinados ao SUS e cerca de 101 voltados para convênios e particulares.
O hospital rio-pretense possui mais de mil colaboradores e cerca de 200 médicos — um número que sozinho já se aproxima de toda a estrutura funcional citada pelo provedor de Casa Branca como argumento para justificar a capacidade operacional da instituição do interior paulista.
Em tom de defesa, William afirmou na sessão que a Santa Casa de Rio Preto possui contratos milionários com a Prefeitura rio-pretense e argumentou que a instituição de Casa Branca também teria direito de prestar serviços para outros municípios.
O detalhe é que a Santa Casa de Rio Preto é historicamente integrada à rede SUS local e atende permanentemente a demanda hospitalar da sexta maior cidade do Estado de São Paulo fora da capital.
Além disso, a própria Santa Casa rio-pretense informou anteriormente que não teve interesse no convênio das carretas de exames, ao receber apenas uma consulta inicial por e-mail, sem detalhamento operacional, técnico e jurídico suficiente sobre como funcionaria o projeto.
Mesmo assim, William Lemes afirmou que a contratação da Santa Casa de Casa Branca seguia modelo semelhante ao utilizado por governos estaduais e federal com entidades do terceiro setor.
Durante o pronunciamento, ele também criticou pessoas de Rio Preto que, segundo ele, teriam ido a Casa Branca para “fazer política desqualificada” e acusou opositores de tentarem desmerecer a estrutura da instituição. A médica e presidente do Sindicato dos Médicos de Rio Preto, Merabe Muniz, é a pessoa que foi à Casa Branca.
Ao mesmo tempo, apresentou investimentos feitos no hospital de Casa Branca, como aquisição de mamógrafo, densitometria óssea, raio-X digital e a previsão de chegada de um tomógrafo nos próximos dias. Também destacou a implantação da Rede Acolhe, voltada ao atendimento de aproximadamente 250 crianças neurodivergentes do município.
O convênio de R$ 11,9 milhões entre a Prefeitura de Rio Preto e a Santa Casa de Casa Branca previa a realização de aproximadamente 62 mil exames por meio de carretas itinerantes. O contrato acabou cancelado após questionamentos sobre legalidade, operacionalização e transparência do modelo adotado.
Merabe cita suspeitas de corrupção e contratos obscuros ao responder provedor da Santa Casa de Casa Branca, William Lemes
A médica Merabe Muniz, presidente do Sindicato dos Médicos de Rio Preto, reagiu às declarações do provedor da Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, William Vieira Lemos, feitas durante sessão da Câmara Municipal de Casa Branca, e afirmou que o gestor estaria ligado a “contratos obscuros” e casos investigados de corrupção na área da saúde.
“Me sinto honrada em ser atacada e estar incomodando esse tipo de pessoa, com uma vasta lista de envolvimento em contratos obscuros com ampla investigação de corrupção e desvio de verbas na saúde, como no caso de Hortolândia”, afirmou.
Merabe também declarou que acompanha investigações envolvendo empresas que, segundo ela, teriam ligação com o provedor e atuação no convênio de R$ 11,9 milhões firmado entre a Prefeitura de São José do Rio Preto e a Santa Casa de Casa Branca, posteriormente cancelado.
“Adianto que estamos investigando o envolvimento de empresas particulares supostamente contratadas pela Santa Casa de Casa Branca para realização desses serviços, ligadas ao William Lemes, entre elas Maplin Serviços e W5S Serviços”, declarou.
Ao final, a dirigente sindical ironizou as críticas feitas pelo provedor durante a sessão.
“Realmente sou desqualificada para corrupção”, afirmou.

