O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais investigadores do PCC em São Paulo, afirmou que a falta de integração entre as forças de segurança é hoje o maior obstáculo para combater o crime organizado no país. Ele falou nesta terça-feira (25) na CPI do Crime Organizado, no Senado.
Segundo Gakiya, as polícias e o Ministério Público ainda atuam de forma isolada e, muitas vezes, em disputa. Para ele, sem coordenação, o Estado não consegue enfrentar facções que já movimentam bilhões e atuam em vários setores da economia formal.
O promotor disse que o Brasil corre risco de se tornar um narcoestado. Ele citou o uso de fintechs, apostas online e criptomoedas para lavagem de dinheiro. Também criticou o projeto Antifacção, aprovado na Câmara, por não diferenciar líderes e integrantes comuns das organizações criminosas.
Gakiya afirmou ainda que a polarização política atrapalha a cooperação entre governos federal e estaduais. Ele defendeu a criação de uma Autoridade Nacional, que reúna todas as polícias e órgãos do Estado, para conduzir ações permanentes contra o crime organizado.
O promotor lembrou que o PCC atua em todos os estados e em pelo menos 28 países. Ele também citou casos de empresas de ônibus em São Paulo que teriam sido controladas pelo grupo e recebiam contratos públicos milionários.
Para Gakiya, o crime organizado tenta influenciar campanhas eleitorais para obter contratos em prefeituras. Ele disse que a falta de regulação das fintechs e apostas online facilita a lavagem de dinheiro. O promotor também comentou mudanças no PL Antifacção que retiram homicídios de faccionados do Tribunal do Júri, medida que considerou frágil.

