A quantidade de poluição no ar que os brasileiros respiram passa muitas vezes do limite máximo permitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa informação está no Relatório Anual de Qualidade do Ar de 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente. A repórter Fabíola Sinimbú informou que o documento analisa como está a situação em todo o país.
Os dados usados são de 2024 e, pela primeira vez, seguem as novas regras do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Essas regras criaram etapas para que o Brasil consiga, aos poucos, chegar aos mesmos padrões de limpeza do ar exigidos pela saúde mundial.
O relatório mostra se a poluição está aumentando ou diminuindo em cada região. Para isso, os técnicos medem várias substâncias perigosas, como o ozônio, a fumaça de carros (monóxido de carbono) e poeiras muito finas que entram no pulmão. As informações vêm de aparelhos que monitoram o ar espalhados pelo Brasil.
De acordo com o estudo, quase todas as substâncias poluidoras ficaram acima do que é permitido. Apenas o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio ficaram dentro do limite na maior parte do tempo, com problemas apenas em lugares específicos, como no Maranhão.
O especialista JP Amaral, que já foi conselheiro do Conama, explicou que a maioria dos poluentes foi avaliada com base em um padrão que começou a valer em janeiro deste ano. Segundo ele, esse padrão ainda é o que os estados já vinham conseguindo atender, mas ainda não é o ideal para a saúde.
O relatório detalha o aumento de vários poluentes. O ozônio aumentou em estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Já o monóxido de carbono teve alta no Rio Grande do Sul, Rio e Pernambuco. O dióxido de nitrogênio, que vem muito da queima de combustíveis, subiu mais de 20% no Rio de Janeiro e também teve alta em São Paulo e no Espírito Santo.
Outras substâncias também preocupam, como o dióxido de enxofre, que aumentou no Espírito Santo. Por outro lado, a poeira bem fininha, que é muito perigosa porque entra no sangue, teve uma pequena redução em São Paulo. Já a poeira inalável, que entra pelo nariz e boca, teve o maior aumento em uma estação que fica dentro de uma escola em Minas Gerais.
Para o Ministério do Meio Ambiente, esses resultados mostram que os estados precisam criar planos urgentes para controlar a poluição. É necessário saber exatamente quem está poluindo e aumentar o número de aparelhos que medem a qualidade do ar nas cidades.
O Brasil tem hoje 570 estações que medem a poluição, o que é um número maior do que nos anos passados. Porém, o relatório diz que muitos estados ainda têm dificuldade para enviar os dados para o governo federal. Algumas estações estão paradas ou não mandaram informações atualizadas.
Essas falhas no envio de dados atrapalham o governo a saber se a rede de monitoramento realmente cresceu ou se os estados apenas demoraram a avisar sobre aparelhos antigos. Mesmo assim, o especialista JP Amaral acredita que o relatório é um avanço, pois ajuda a organizar as informações de todo o país.
Para o futuro, os especialistas dizem que o Brasil precisa criar regras para dias de poluição extrema, os chamados “picos de poluição”. Eles afirmam que o relatório foca muito na média do ano inteiro, mas que é preciso ter planos de emergência para quando o ar fica muito ruim em um único dia, como aconteceu recentemente em várias cidades.

