A Polícia Militar investiga a atuação de quatro policiais que entraram armados em uma escola municipal do Butantã, em São Paulo, após a queixa de um pai sobre um desenho de orixá feito pela filha. O caso aconteceu na última quarta-feira, dia 12.
O pai teria dito à PM que a criança estava sendo obrigada a ter aula de religião africana. No dia anterior, ele já havia ido à unidade, retirou do mural o desenho de Iansã e discutiu com funcionários.
Os policiais ficaram mais de uma hora no local e deixaram a escola junto com o pai. A diretora informou que a unidade não trabalha com doutrinação religiosa e segue o currículo antirracista. Ela disse ainda ter sido coagida pela equipe policial.
O episódio causou revolta em famílias de alunos, que se dispuseram a prestar depoimento. A professora registrou boletim de ocorrência por ameaça contra o pai.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a PM abriu investigação e que as imagens das câmeras corporais serão analisadas. A Secretaria Municipal de Educação afirmou que a atividade fazia parte do ensino obrigatório de história e cultura afro-brasileira e indígena.
O sindicato dos profissionais da educação criticou a entrada dos policiais e disse que a ação causou constrangimento e abalo emocional. Dois parlamentares acionaram o Ministério da Igualdade Racial para acompanhar o caso.

