O aumento do calor e das chuvas no verão tem provocado crescimento nos casos de acidentes com escorpiões em áreas urbanas. Mais ativos nesse período, esses animais deixam esconderijos como esgotos, entulhos e locais com lixo acumulado, o que eleva o risco de contato dentro das casas.
A preocupação é maior quando as vítimas são crianças. Segundo a pediatra Gabriela Marcatto, os quadros em pacientes infantis podem evoluir com mais rapidez. “A criança tem menor peso corporal, o que faz com que o veneno atue de forma mais intensa. Uma picada que pode ser leve em um adulto pode se tornar moderada ou grave em uma criança”, explica.
Dados do Ministério da Saúde mostram que os acidentes com escorpiões vêm aumentando no Brasil. A espécie mais comum e também a mais perigosa é o escorpião-amarelo, responsável pela maioria dos casos graves.
De acordo com Gabriela Marcatto, os sintomas aparecem logo após a picada. A dor é imediata. Em crianças pequenas, podem surgir vômitos, suor intenso, palidez, agitação e até alterações cardíacas. “Esses sinais indicam que é preciso procurar atendimento urgente”, afirma.
Em caso de acidente, a orientação é levar a criança imediatamente a um serviço de saúde. Lavar o local com água e sabão é indicado, mas isso não deve atrasar a ida ao hospital. A médica alerta que não se deve fazer torniquete nem aplicar substâncias caseiras.
Em Rio Preto, a Prefeitura ampliou os pontos de aplicação do soro antiescorpiônico. O atendimento está disponível no Hospital de Base, no Hospital da Criança e Maternidade e nas UPAs Jaguaré e Norte. A Secretaria Municipal de Saúde orienta que crianças de até 10 anos sejam levadas diretamente a essas unidades. Adolescentes e adultos devem procurar a unidade de saúde mais próxima para avaliação.
A prevenção é fundamental. A pediatra recomenda manter quintais e jardins limpos, evitar acúmulo de entulho e lixo, colocar telas em ralos e vedar frestas em portas e paredes. Também é importante verificar roupas e calçados antes de usar e orientar as crianças a não mexerem em buracos, pedras ou troncos.
Gabriela Marcatto também desaconselha o uso de pesticidas. Segundo ela, além de não resolver o problema, esses produtos podem espalhar os escorpiões e aumentar o risco de acidentes.
“Quando falamos de crianças, o tempo é decisivo. Procurar ajuda médica imediata pode salvar vidas”, conclui a pediatra.
Instagram: @dragabrielamarcatto
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Francine Moreno
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