O promotor Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco e há mais de 20 anos no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou nesta terça-feira (25), durante a CPI do Crime Organizado no Senado, que a facção criminosa já atingiu o nível de uma máfia internacional. Gakiya vive sob escolta há dez anos, por estar jurado de morte pela organização.
Segundo o promotor, o PCC está hoje presente em todos os estados brasileiros, no Distrito Federal e em 28 países. Ele destacou que a facção mantém relações diretas com máfias internacionais, como a italiana ‘Ndrangheta e a Camorra, além de grupos criminosos da Sérvia, dos Balcãs e de países da África.
Gakiya explicou que o grupo evoluiu especialmente na área de lavagem de dinheiro, movimentando cerca de R$ 12 bilhões por ano. Ele afirmou que o crime organizado atual é muito mais sofisticado do que no passado, utilizando fundos de investimento, fintechs, moedas digitais e outros mecanismos modernos.
Para ele, o maior entrave no enfrentamento ao crime organizado é a falta de cooperação entre órgãos públicos e a polarização política, que dificulta ações integradas. Gakiya afirmou que o problema não é a falta de leis, mas a forma como elas são aplicadas.
O promotor defendeu ainda o aumento das penas previsto no PL Antifacção e a criação de uma Autoridade Nacional Antimáfia.
Depois do depoimento de Gakiya, o diretor de Inteligência da Polícia Federal, Leandro Almada, também falou à CPI. Ele destacou que o Rio de Janeiro enfrenta um cenário ainda mais complexo, com contravenção, milícias, facções e grande infiltração de policiais nos esquemas criminosos.
Almada afirmou que a demanda por armas no estado é altíssima e que a contravenção, com participação de autoridades e políticos, está espalhada por vários setores, incluindo o Carnaval. Para ele, enfrentar esse tipo de crime é essencial para diminuir a violência no Rio.

