Faleceu em Rio Preto, nesta quarta-feira (11), o radialista Paulo Serra Martins, aos 92 anos. Figura querida pela população e referência na comunicação regional, ele lutava há anos contra uma doença cerebral e teve sua história marcada por mais de meio século de voz, narrativas e memórias compartilhadas com a comunidade rio-pretense.

Nascido em 26 de janeiro de 1934, um ano antes da criação da Rádio Rio Preto PRB-8 (a primeira emissora da cidade) Paulo Serra Martins cresceu junto com o rádio e transformou essa mídia em sua vida e em sua contribuição mais duradoura para a cultura local. Foi repórter, apresentador, cronista e, acima de tudo, um contador de histórias do cotidiano da cidade.
Ao longo de cerca de 50 anos de carreira, Paulinho passou por várias emissoras antes de encerrar sua trajetória profissional na Rádio Independência AM. Sua voz ficou marcada por crônicas que retratavam o dia a dia de Rio Preto: histórias de pessoas, acontecimentos marcantes e as transformações da cidade. Suas narrativas eram tão vivas que muitos moradores diziam reconhecer suas próprias vidas nas crônicas que ele contava no ar.
Além do trabalho no rádio, Paulo Serra Martins também atuou em jornais impressos e foi assessor de imprensa da Câmara Municipal, contribuindo para a documentação de fatos relevantes da vida pública e social rio-pretenses.
Um de seus legados mais importantes é o livro “Nas Ondas da B-8 – A História do Rádio em São José do Rio Preto”, obra que reúne relatos, personagens e momentos da radiodifusão local desde suas origens. A obra foi reconhecida oficialmente, inclusive com homenagem da Câmara Municipal em 2007, e é considerada referência para quem estuda ou ama a comunicação da região.
Sua contribuição estendeu-se também à preservação de memórias mais amplas da cidade, como o registro de profissionais que marcaram época no rádio e a descrição de como ele influenciou a vida cultural de Rio Preto durante décadas.
Amigos, ouvintes e familiares destacam que Paulo Serra Martins foi mais do que um comunicador: foi um amigo do público. Sua capacidade de ouvir e retransmitir a vida das pessoas fez dele um dos radialistas mais queridos da cidade, respeitado tanto pelo público quanto pelos colegas de profissão.
Ele deixa filhos, netos e um legado inestimável na memória da comunicação local. O velório está sendo realizado no dia 11 de fevereiro, das 13h às 16h30, na Capelas Prever Rio Preto, no Distrito Industrial, para que familiares, amigos e admiradores possam se despedir e prestar suas homenagens.

