O papa Leão XIV afirmou que a guerra travada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã não pode ser considerada uma “guerra justa”. A declaração foi feita durante voo entre Roma e Madri, na quarta viagem internacional de seu pontificado. Segundo o líder da Igreja Católica, a teoria da guerra justa foi formulada há séculos e já não se aplica aos conflitos atuais, marcados pelo enorme poder destrutivo dos armamentos modernos.
Questionado por jornalistas sobre as declarações do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, que utilizou o conceito para defender a ofensiva militar contra Teerã, o pontífice foi direto. “Não existe uma guerra justa ali”, afirmou. Para ele, a capacidade de destruição das armas contemporâneas exige uma nova reflexão sobre os limites éticos dos conflitos armados.
As declarações ocorrem em meio às divergências já registradas entre o papa e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à guerra envolvendo o Irã. Durante os confrontos, Leão XIV voltou a defender o encerramento das hostilidades e criticou discursos que, segundo ele, contribuem para ampliar as tensões na região.
No início deste ano, o pontífice classificou como “inaceitável” uma ameaça feita por Trump ao Irã. O presidente norte-americano respondeu chamando o papa de “fraco e terrível em política externa”. Leão XIV rebateu as críticas afirmando que continuará se manifestando em defesa da paz e contra a guerra.
A troca de declarações repercutiu na Itália. A primeira-ministra Giorgia Meloni manifestou apoio ao líder religioso e classificou como “inaceitáveis” os comentários dirigidos ao pontífice pelo presidente norte-americano.

