O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU) divulgou nesta sexta-feira (31) uma nota oficial sobre a operação policial mais letal registrada no Brasil, que deixou pelo menos 120 mortos, incluindo quatro policiais, nas comunidades do Complexo do Alemão e do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro.
No comunicado, os especialistas pedem que o governo brasileiro realize uma investigação independente e rápida, para garantir responsabilização pelos fatos, interromper violações de direitos humanos e proteger testemunhas, familiares das vítimas e defensores de direitos humanos.
A ONU afirma que recebeu denúncias de corpos encontrados com as mãos amarradas e marcas de tiros na nuca, além de relatos de invasões sem mandado judicial, prisões arbitrárias e uso de drones e helicópteros para disparos. Segundo o órgão, a operação atingiu comunidades habitadas majoritariamente por pessoas negras e de baixa renda.
Os especialistas destacam que o Brasil deve adotar medidas urgentes, como: suspender operações com uso desproporcional da força; garantir proteção a testemunhas e familiares; preservar provas e a cadeia de custódia; realizar investigações periciais independentes; e punir abusos policiais de acordo com normas internacionais.
A nota alerta ainda para o padrão de violência policial racializada no país, lembrando que, em 2024, mais de seis mil pessoas morreram em ações policiais, a maioria negras e moradores de periferias. Segundo a ONU, essas mortes ocorrem de forma generalizada e sistemática, funcionando como uma espécie de limpeza social contra grupos marginalizados.
O documento da ONU foi encaminhado formalmente ao governo brasileiro, solicitando informações sobre medidas adotadas para responsabilizar os envolvidos, reparar danos e garantir justiça às vítimas e seus familiares.

