A Organização das Nações Unidas (ONU) vai iniciar neste domingo uma campanha de vacinação e avaliação nutricional para crianças na Faixa de Gaza. A ação é coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo Unicef e pela Agência da ONU para os Refugiados Palestinos, em parceria com o Ministério da Saúde local.
O objetivo é proteger cerca de 44 mil crianças contra doenças como sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tuberculose e poliomielite. Além disso, os profissionais de saúde vão avaliar os níveis de subnutrição, resultado de dois anos de guerra e meses de bloqueio humanitário. Casos graves ou moderados receberão tratamento.
A campanha envolverá 600 médicos e será realizada em três rodadas de vacinação. As doses serão aplicadas em 149 unidades de saúde e 10 unidades móveis. A ONU também trabalha para reabilitar 35 centros de saúde que foram destruídos ou danificados durante o conflito.
Segundo o Unicef, uma em cada cinco crianças com menos de três anos não recebeu nenhuma vacina ou não conseguiu completar o esquema de imunização devido à guerra. Antes do conflito, a cobertura vacinal em Gaza era de 98%; hoje caiu para menos de 70%.
Jonathan Veitch, representante do Unicef na Palestina, afirmou que, após dois anos de violência que matou mais de 20 mil crianças, esta campanha é uma oportunidade de proteger os que sobreviveram.
A ONU destacou que o sucesso da ação depende do cumprimento total do cessar-fogo em vigor desde 10 de outubro, apesar de incidentes violentos recentes. Mais de 68 mil pessoas morreram desde o início do conflito, a maioria civis, e cerca de 2,1 milhões vivem em situação de fome grave.
A situação em Gaza é considerada uma grave crise humanitária, com críticas internacionais ao uso da fome como arma de guerra. Países e organizações pedem atenção urgente para proteger a população civil, especialmente crianças, do agravamento da crise.
