O Ministério da Saúde habilitou oficialmente a Funfarme como Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON), consolidando o complexo formado pelo Hospital de Base de Rio Preto e pelo Hospital da Criança e Maternidade como referência no tratamento oncológico pelo SUS no Estado de São Paulo.

A habilitação beneficia milhares de pacientes de 102 cidades da região noroeste paulista e reconhece oficialmente a estrutura já utilizada para o atendimento de alta complexidade em câncer. Na prática, o paciente passa a ter acesso, dentro do mesmo complexo hospitalar, a consultas, exames, cirurgias, quimioterapia, radioterapia, internações, acompanhamento multiprofissional e cuidados paliativos de forma integrada.
“O modelo deste Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia foi criado para evitar a fragmentação da assistência, garantir mais segurança ao paciente e proporcionar maior qualidade ao cuidado oncológico”, afirma o diretor executivo da Funfarme, Horácio José Ramalho. “É um marco muito importante para nossa instituição, Rio Preto e região. A habilitação representa o reconhecimento técnico e institucional da qualidade de nossos profissionais e da estrutura oncológica, reafirmando nosso complexo como referência no atendimento oncológico pelo SUS no Estado de São Paulo”, completa.
Atualmente, o complexo hospitalar realiza mais de 100 mil consultas, exames e procedimentos oncológicos por ano. Entre os números apresentados pela instituição estão 18,6 mil sessões de quimioterapia, 18 mil procedimentos de radioterapia, 66 mil consultas e cerca de 2,4 mil cirurgias anuais.
Segundo a direção da fundação, a habilitação como CACON fortalece institucionalmente os serviços já oferecidos, amplia o reconhecimento junto à Secretaria Estadual de Saúde e aos Departamentos Regionais de Saúde e facilita futuras habilitações e expansões na área oncológica. “Embora a portaria não represente aumento automático de recursos financeiros, ela cria bases técnicas e institucionais que favorecem o acesso a programas, investimentos e novas habilitações federais vinculadas à alta complexidade em oncologia”, pontua Horácio José Ramalho.
A estrutura da oncologia da Funfarme conta com atendimento em oncologia clínica, hematologia, quimioterapia, imunoterapia, cirurgias oncológicas de alta complexidade e serviços avançados de diagnóstico por imagem e laboratoriais. Um dos destaques é o serviço de radioterapia, considerado um dos maiores do Estado de São Paulo.
O setor possui três aceleradores lineares — TrueBeam STX, Trilogy STX e Halcyon Elite — além de aparelho de braquiterapia e tomografia computadorizada 4D específica para simulação radioterápica. Os equipamentos permitem técnicas modernas como radiocirurgia, radioterapia tridimensional, radioterapia guiada por imagem e radioterapia estereotáxica extracraniana.
De acordo com o médico rádio-oncologista Renato José Affonso Júnior, a tecnologia aliada à especialização profissional impacta diretamente o tratamento dos pacientes. “Pelo menos 60% dos pacientes com a doença, em algum momento do tratamento precisam passar pela radioterapia”, afirma.
Ele destaca ainda a integração dos profissionais como um diferencial do novo CACON. “Temos médicos oncologistas, hematologistas, rádio-oncologistas, radiologistas, patologistas e cirurgiões que atendem todos os pacientes em um único lugar. Contamos também com uma equipe multiprofissional composta por nutricionistas, enfermeiras, fisioterapeutas, cirurgiões dentistas, fonoaudiólogas, psicólogos, físicos médicos, biomédicos, dosimetristas e residentes médicos em radioterapia e aprimorandos de física médica que também fazem parte da atenção a esses pacientes”, ressalta.
Outro destaque da estrutura é o programa de navegação de pacientes oncológicos, voltado principalmente a casos de câncer de pulmão, mama e gliomas do sistema nervoso central. Desde sua implantação, há três anos, mais de 600 pacientes foram acompanhados durante toda a jornada de tratamento.
“O navegador atua como um profissional integrante da equipe multiprofissional, caminhando lado a lado com o paciente e identificando barreiras que possam comprometer o acesso e a continuidade do cuidado, tais como dificuldades sociais, psicológicas, financeiras e logísticas”, explica a enfermeira Márcia Lanza.
Segundo ela, o serviço busca reduzir atrasos no início do tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “A humanização pauta nossos profissionais e está presente em todas as áreas da oncologia em nosso complexo hospitalar”, afirma.
A fundação também mantém um serviço especializado em cuidados paliativos, responsável por mais de 500 atendimentos a pacientes com câncer, além de um consultório odontológico exclusivo para pacientes oncológicos, que realiza média de 250 atendimentos mensais voltados à prevenção e ao tratamento de complicações bucais decorrentes das terapias contra o câncer.
A habilitação como CACON contempla ainda o atendimento realizado no Hospital da Criança e Maternidade, referência regional em oncologia pediátrica, com atuação de equipes multiprofissionais voltadas ao atendimento humanizado de crianças e adolescentes em tratamento oncológico.

