As lesões continuam sendo uma das principais preocupações no esporte de alto rendimento e afetam diretamente a participação de atletas em grandes competições. Entre os problemas mais frequentes estão as lesões no joelho, especialmente rupturas ligamentares e lesões meniscais, que podem exigir desde tratamento conservador até procedimentos cirúrgicos.
Um dos casos mais conhecidos dos últimos anos foi o do atacante brasileiro Neymar, que ficou afastado dos gramados após romper o ligamento cruzado anterior e sofrer uma lesão no menisco do joelho esquerdo. O episódio chamou atenção para os riscos envolvendo uma das articulações mais exigidas no futebol e em diversas modalidades esportivas.
Segundo o ortopedista Gunter Sgarboza, especialista em cirurgia de joelho e traumatologia esportiva, as lesões apresentam características distintas e exigem abordagens específicas. “Quando ocorre uma ruptura de ligamento cruzado anterior, normalmente existe um mecanismo de trauma envolvendo mudança brusca de direção, rotação do corpo ou desaceleração. É uma lesão que gera instabilidade articular e, muitas vezes, vem associada a lesões de menisco e cartilagem”, explica.
Além de atuar como cirurgião de joelho, Gunter acompanha atletas de alto rendimento e integra a equipe médica do Rio Preto Weilers, uma das principais equipes de futebol americano do país. Ele destaca que nem todas as lesões ligamentares apresentam a mesma gravidade. “Existem diferentes tipos de lesões no joelho. Algumas exigem cirurgia, como muitas lesões do ligamento cruzado anterior. Outras costumam responder bem ao tratamento conservador, como ocorre em diversos casos de lesão do ligamento colateral medial. Quando a lesão envolve ligamento e menisco ao mesmo tempo, o período de recuperação normalmente é maior.”
O especialista também ressalta que as lesões musculares variam bastante quanto ao tempo de recuperação. “Uma lesão muscular grau 2 normalmente exige cerca de um mês a um mês e meio de recuperação. Já uma lesão mais grave pode exigir até três meses para o retorno às atividades. Por isso, cada caso precisa ser analisado individualmente”, afirma.
Para Gunter, o calendário cada vez mais apertado contribui para o aumento dos problemas físicos, mas não é o único fator envolvido. “A recuperação adequada, o sono, a alimentação, o fortalecimento muscular e os cuidados fora de campo também têm papel importante na prevenção das lesões.”
Ele lembra ainda que os avanços da medicina esportiva melhoraram significativamente os tratamentos, mas alerta para os riscos do retorno precoce às atividades. “Não basta apenas reconstruir um ligamento. Existe todo um processo de fortalecimento muscular, reequilíbrio biomecânico e recuperação funcional. O retorno antecipado pode aumentar muito o risco de uma nova lesão.”
Faixa-preta de jiu-jitsu e campeão mundial da modalidade, o médico defende que a prevenção continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir afastamentos. “Fortalecimento adequado, avaliação física individualizada e acompanhamento médico constante ajudam a diminuir riscos. No esporte de alto rendimento, muitas vezes pequenos detalhes fazem a diferença para manter o atleta saudável durante toda a temporada.”

