As famílias brasileiras continuaram enfrentando aumento dos juros, do endividamento e da inadimplência em agosto, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC).
A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano, alta de 1,4 ponto percentual em relação a julho e de 2,9 pontos percentuais na comparação com agosto de 2025. Entre as modalidades que mais pressionaram o indicador estão o cartão de crédito rotativo e o cartão parcelado.
Considerando famílias e empresas, a taxa média de juros das operações com recursos livres ficou em 48,5% ao ano em agosto, aumento de 0,8 ponto percentual no mês e de 2,3 pontos percentuais em 12 meses.
Para as empresas, a taxa média ficou em 24,2% ao ano, com redução de 1 ponto percentual no mês e de 0,7 ponto percentual em 12 meses.
Segundo o Banco Central, o resultado foi influenciado pela variação das taxas, com destaque para reduções nas taxas médias do cartão de crédito rotativo, do capital de giro com prazo inferior a 365 dias e do capital de giro com prazo superior a 365 dias.
O crédito às famílias continuou crescendo apesar dos juros mais altos. O saldo das operações livres para pessoas físicas chegou a R$ 2,6 trilhões, expansão de 0,8% no mês e de 10,5% em 12 meses. O resultado foi puxado principalmente pelo financiamento de veículos, cartão de crédito rotativo e crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Nas empresas, o saldo das operações de crédito livre ficou em R$ 1,6 trilhão, queda de 0,6% no mês e alta de 0,5% em 12 meses. O saldo total da carteira de crédito livre atingiu R$ 4,1 trilhões em agosto, crescimento de 0,2% no mês e de 6,5% em 12 meses.
O endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 1,1 ponto percentual em 12 meses. O comprometimento da renda com o pagamento de dívidas ficou em 28,7%, estável no mês, mas 1,4 ponto percentual acima do registrado um ano antes.
A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional alcançou 5% em agosto, alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto percentual em 12 meses. Entre as famílias, o índice chegou a 6%, avanço de 0,2 ponto percentual em relação a julho e de 1,1 ponto percentual na comparação anual. Entre as empresas, permaneceu em 3,3%.
O saldo total das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,4 trilhões em agosto, expansão de 0,5% no mês. As operações com famílias cresceram 0,8%, para R$ 4,7 trilhões, enquanto o crédito para empresas recuou 0,1%, para R$ 2,7 trilhões.
Em 12 meses, o crédito total cresceu 9,2%, com alta de 10,5% nas operações destinadas às pessoas físicas e de 7,1% nas voltadas às empresas.
Considerando empréstimos bancários, títulos de dívida e financiamentos externos, o crédito ampliado ao setor não financeiro somou R$ 22 trilhões em agosto, equivalente a 164,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O saldo cresceu 0,6% no mês e 11,3% em 12 meses.
O crédito ampliado às empresas chegou a R$ 7,3 trilhões, equivalente a 54,6% do PIB, com alta de 1,1% em agosto e de 8,7% em 12 meses.
Nos agregados monetários, a base monetária encerrou agosto em R$ 432,6 bilhões, estável em relação a julho e 1,4% menor que em agosto de 2025. As reservas bancárias cresceram 4,5% no mês, enquanto o volume de papel-moeda em circulação recuou 0,5%.

