O impacto da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis no Brasil pode demorar para chegar ao consumidor. Especialistas do setor de energia explicam que esse processo costuma ocorrer de forma gradual e pode levar meses para ser percebido nos postos.
Segundo Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), mesmo que o preço do petróleo suba no mercado internacional, o repasse para os consumidores não ocorre imediatamente.
Ele explicou que o petróleo comprado pelas refinarias é negociado por meio de contratos firmados anteriormente. Por isso, os valores antigos ainda continuam valendo por algum tempo antes de serem substituídos por novos contratos com preços mais altos.
Ardenghy afirmou que o processo pode levar até seis meses para chegar ao consumidor final. Ele também destacou que, no curto prazo, não deve ocorrer uma mudança brusca nos preços dos combustíveis no Brasil.
Outro fator que influencia o mercado é a incerteza sobre o andamento do conflito no Oriente Médio. O especialista afirmou que o impacto nos preços depende de fatores como a continuidade da guerra, o bloqueio de rotas de transporte de petróleo e a participação de outros países na crise.
Entre os pontos de atenção está o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo exportado pelos países do Golfo Pérsico. Mesmo com riscos de bloqueio, existem rotas alternativas que podem manter parte do fluxo de petróleo no mercado internacional.
Especialistas ressaltam que alguns países também possuem reservas estratégicas de petróleo, que podem ser utilizadas em momentos de crise para reduzir impactos no abastecimento global.
