O uso da Cidade da Criança como estacionamento durante o show internacional da banda Guns N’ Roses continua repercutindo e ganhou destaque em programa de televisão em rede nacional. O que chamou atenção é que o local utilizado não é um estacionamento, mas sim área de lazer infantil.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram que os veículos foram estacionados em áreas gramadas ao lado dos brinquedos. A Cidade da Criança não possui estacionamento em sua parte interna, sendo composta por espaços destinados ao lazer, recreação e convivência de crianças e famílias.
Portanto, o espaço, mesmo que pudesse ser concedido, não é estacionamento. É um parque infantil, gramado e com brinquedos.
O uso do espaço foi autorizado pelo então secretário de Esportes, Kleber Fernando Trindade Mello, conhecido como Klebinho Kizumba. Não houve processo de licitação. A autorização foi concedida a uma entidade que seria beneficente.
Segundo a apuração do jornal Diário da Região, essa entidade não apresenta atividades recentes há cerca de dois anos. No endereço indicado como sede, haveria apenas uma casa fechada. Os responsáveis não foram localizados por telefone ou e-mail, informa a publicação.
Outro ponto que ampliou a repercussão é a forma de cobrança. Valores pagos pelos motoristas teriam sido recebidos por meio de PIX em conta pessoal de um diretor da Câmara Municipal. Até o momento, não há comprovação de que o dinheiro tenha sido repassado à entidade mencionada.
O caso resultou na exoneração do secretário de Esportes pelo prefeito de Rio Preto. Também há envolvimento de um diretor da Câmara, também exonerado, que é apontado como responsável pelo recebimento dos valores, embora ele não apareça diretamente nas imagens divulgadas.
Com o avanço das denúncias, foi apresentado um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) pelo vereador Renato Pupo. Para ser instalada, a comissão precisa de oito assinaturas. Até agora, o pedido conta com quatro assinaturas: do autor e dos vereadores Pedro Roberto Gomes, Alexandre Montenegro e João Paulo Rillo, do PT.
Os mesmos vereadores também protocolaram um pedido de cassação no Conselho de Ética da Câmara. A medida envolve Kleber Kizumba, que, após deixar o cargo de secretário, reassumiu sua função como vereador, para a qual foi eleito na última eleição.

