A Funfarme e a Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) promoveram, na terça-feira (5), a capacitação “Agosto Branco: Conscientização e Rastreamento do Câncer de Pulmão”, voltada a profissionais da atenção primária, enfermagem, assistência social e demais equipes envolvidas na identificação e encaminhamento de pacientes.

A iniciativa busca ampliar o diagnóstico precoce da doença e fortalecer o Serviço de Telerastreamento do Hospital de Base, referência regional no tratamento oncológico.
Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028. Apesar da alta incidência, a doença continua sendo a principal causa de mortes por câncer no país, principalmente devido ao diagnóstico em fases avançadas.
O diretor executivo da Funfarme, Dr. Horácio Ramalho, destacou a importância da capacitação dos profissionais da rede básica.
“O diagnóstico precoce é um dos maiores desafios no enfrentamento do câncer de pulmão. Ao investir na capacitação dos profissionais da atenção primária e fortalecer o Serviço de Telerastreamento do Hospital de Base, a Funfarme amplia o acesso ao rastreamento e cria oportunidades para que mais pacientes sejam diagnosticados em estágios iniciais da doença, quando as chances de tratamento e cura são significativamente maiores. Esse trabalho integrado com a rede de saúde é fundamental para reduzir a mortalidade causada por esse tipo de câncer.”
O Serviço de Telerastreamento acompanha pacientes considerados de maior risco para desenvolver a doença e realiza exames capazes de identificar alterações ainda nas fases iniciais. Em 2025 foram realizados 119 atendimentos. Em 2026, até junho, o serviço contabilizou 50 atendimentos.
Para o cirurgião torácico da Funfarme, Dr. Isaac Rodrigues, o envolvimento da atenção primária é decisivo para aumentar a detecção precoce.
“É muito importante orientar as unidades encaminhadoras sobre como deve ser o cuidado com esses pacientes. Precisamos fortalecer principalmente a atenção primária, mas também envolver enfermeiros, assistentes sociais e todos os profissionais que têm contato direto com a população. Muitas vezes, são eles que identificam pacientes com perfil para iniciar o rastreamento ou que precisam de apoio para a cessação do tabagismo.”
O especialista também ressaltou que muitos tumores não apresentam sintomas nas fases iniciais.
“Quanto mais cedo o câncer é identificado, maiores são as possibilidades de tratamento e de sobrevida. Muitas vezes, um pequeno nódulo no pulmão não provoca sintomas e só será descoberto por meio do rastreamento. Quando os sintomas aparecem, a doença pode já estar em estágio avançado.”
Entre os sinais que exigem investigação médica estão perda de peso sem causa aparente, tosse persistente, tosse com sangue, falta de ar e pneumonias de repetição. O principal fator de risco continua sendo o tabagismo, que aumenta em até 30 vezes a possibilidade de desenvolvimento da doença.

