O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, apresentou propostas para reduzir despesas do governo, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que, se eleito, não disputará um segundo mandato. As declarações foram dadas na sexta-feira (16), durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete.
Na área econômica, Flávio anunciou um plano de ajuste fiscal de R$ 200 bilhões. Entre as medidas citadas estão a redução do número de ministérios, com a extinção de pelo menos dez das 39 pastas atuais, e a utilização de imóveis públicos para gerar receitas. Ele também afirmou que pretende manter os reajustes do salário mínimo acima da inflação e não propõe retirar os pisos constitucionais de gastos com saúde e educação.
A jornada de trabalho foi outro tema da conversa. O candidato declarou que não tentará reverter o fim da escala 6×1, caso a mudança seja aprovada pelo Congresso. A proposta de reorganização dos dias de trabalho tem sido um dos assuntos em debate na campanha eleitoral.
Flávio também foi questionado sobre o financiamento de Dark Horse, filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro. A produção esteve relacionada a um pedido de patrocínio de quase R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, dos quais cerca de R$ 70 milhões teriam sido transferidos ao projeto. O senador negou irregularidades, mas não detalhou as contas da produção. Em checagem publicada sobre suas declarações, o Aos Fatos apontou que as informações disponíveis não sustentavam afirmações dele sobre a prestação de contas e a legalidade dos recursos.
Na política institucional, o candidato voltou a criticar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu mudanças no funcionamento do Judiciário. Também contestou a interpretação dos atos de 8 de janeiro de 2023 como uma tentativa de golpe, embora tenha condenado a depredação de prédios públicos e as agressões contra policiais.
Questionado sobre possíveis integrantes de um governo, Flávio disse que não pretende nomear o irmão, Eduardo Bolsonaro, para o Ministério das Relações Exteriores. Também afirmou que não daria um cargo oficial ao pai, mas admitiu que poderia consultá-lo em assuntos de governo.
Ao falar sobre a disputa eleitoral, o senador declarou que aceitará o resultado das urnas caso seja derrotado. Ele também descartou a possibilidade de tentar a reeleição, se chegar à Presidência.
A entrevista faz parte da série de sabatinas da TV Globo com os candidatos que disputam o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. Lula participou do programa na quinta-feira (15). Um novo debate entre os dois candidatos está previsto para domingo (18), na TV Bandeirantes.

