Uma operação policial na Bolívia encontrou uma estrutura descrita como uma “fazenda de bots” em um endereço ligado ao consultor político argentino Fernando Cerimedo. O caso voltou a chamar atenção para o funcionamento dessas estruturas e para o uso de contas automatizadas em disputas políticas e eleitorais.
As chamadas fazendas de cliques reúnem equipamentos, celulares e contas utilizadas para produzir curtidas, comentários e compartilhamentos de forma coordenada. O objetivo é criar a aparência de que determinado conteúdo possui grande adesão entre usuários reais.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, milhares de perfis podem ser administrados simultaneamente. As contas compartilham os mesmos conteúdos, repetem expressões e interagem entre si em intervalos curtos, produzindo aumento artificial no volume de engajamento.
O pesquisador Reynaldo Aragon explicou que a estratégia busca fazer com que um conteúdo inicialmente impulsionado por contas falsas alcance usuários reais.
Já o cientista político Alexandre Arns Gonzales afirmou que as estruturas podem ser utilizadas para ataques ou defesas coordenadas de candidatos, temas ou perfis.
Segundo os especialistas, o uso desse tipo de estrutura exige equipamentos, celulares, recursos financeiros e pessoas para administrar as contas. Empresas de tecnologia classificam essas práticas como redes de comportamento inautêntico coordenado.
O tema ganhou atenção no contexto eleitoral porque sistemas das plataformas digitais podem identificar padrões de comportamento incompatíveis com o uso normal das redes. Segundo Gonzales, os mecanismos de controle adotados por empresas como Meta, Google e TikTok podem ajudar a detectar operações coordenadas.
Fernando Cerimedo, que já atuou como consultor político na América Latina, foi preso na Bolívia acusado de tentativa de feminicídio contra a ativista e advogada Nadia Beller. A defesa nega participação no crime.

